Andy Bronson/The Herald via AP
Andy Bronson/The Herald via AP

Primeiro condenado com ajuda de árvore genealógica nos EUA cumprirá perpétua 

O caminhoneiro William Talbott foi condenado pelo assassinato de dois jovens canadenses; seu caso foi solucionado com ajuda da genealogia genética

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de julho de 2019 | 16h35

WASHINGTON - O caminhoneiro americano William Talbott, de 56 anos, que foi preso e condenado por dois assassinatos depois que investigadores analisaram o DNA de membros de sua árvore genealógica, foi sentenciado à prisão perpétua. Seu julgamento foi o primeiro nos EUA a recorrer à genealogia genética

No fim de junho, um júri considerou Talbott culpado de assassinar um casal de jovens canadenses em 1987 perto de Seattle, na Costa Oeste dos EUA. O rapaz, Jay Cook, tinha 20 anos, e sua noiva, Tanya Van Cuylenborg, 18. Ela foi assassinada com um tiro na cabeça após ser estuprada. O rapaz foi asfixiado e seu corpo foi encontrado com um maço de cigarros na garganta. 

Três décadas depois de investigações infrutíferas, a polícia anunciou em maio do ano passado a prisão de Talbott, que até então não havia levantado nenhuma suspeita. Encontrá-lo só foi possível graças à genealogia genética. 

Um mês antes, o método já havia ganhado os holofotes quando foi usado para encontrar um homem suspeito de ser o estuprador e assassino em série do Estado da Califórnia, conhecido como "Golden State killer", autor de 12 assassinatos e dezenas de estupros nos anos 70 e 80. 

Em ambos os casos, o DNA recolhido na cena do crime foi comparado com a base de dados de um site público de genealogia, o GEDmatch. 

Nesse site, as pessoas enviam amostras de DNA - um prática cada vez mais comum nos EUA - e podem criar seu perfil genético para encontrar parentes distantes ou completar sua árvore genealógica. 

No caso dos canadenses, um laboratório privado de biotecnologia, Parabon Nanolabs, analisou o sêmen encontrado na roupa de Tanya Van Cuylenborg e ingressou o perfil genético no sistema do GEDmatch. 

A investigação levou a dois primos do suspeito. Uma especialista do laboratório traçou sua árvore genealógica por várias gerações e encontrou um parente em comum: William Talbott. 

Casos congelados

A técnica permitiu resolver ao menos 80 casos que permaneciam sem respostas por anos e os suspeitos foram identificados. No caso do caminhoneiro, foi a primeira vez que em que houve um julgamento envolvendo a técnica. Talbott sempre defendeu sua inocência. 

Na quarta-feira, voltou a dizer que não tinha nada a ver com os assassinatos e disse que recorrerá da sentença. / AFP 

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