Primeiro debate eleitoral na TV do Egito tem ameaças a Israel

Os dois líderes da corrida presidencial defendem revisão dos acordos de paz com vizinho; 1º turno ocorre em duas semanas

CAIRO, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2012 | 03h03

Os candidatos egípcios Amr Moussa e Abdel Aboul Fotouh - apontados por pesquisas como os líderes na corrida presidencial - participaram ontem do primeiro debate na TV da história do país. Ex-chanceler do ditador Hosni Mubarak, Moussa tentou alertar os eleitores para o risco de caos no Egito. Embora seja considerado "islâmico moderado", Aboul Fotouh defendeu a sharia (leis islâmica) e chamou Israel de "inimigo".

Ambos afirmaram que, se eleitos, buscarão rever os acordos de paz com Israel. O candidato islâmico, porém, qualificou o país vizinho de "inimigo do Egito". Moussa não chegou a tanto, mas usou palavras duras contra o governo israelense.

O primeiro turno no Egito ocorre nos dias 23 e 24. Em junho, será realizada a disputa final e o primeiro presidente eleito da história do país deve tomar posse no início de julho.

O duelo em uma TV privada do Cairo durou quase quatro horas, entrando madrugada adentro. Milhões de egípcios e telespectadores de toda a região assistiram ao primeiro debate em uma eleição livre no mundo árabe - na Tunísia, primeiro país a derrubar a ditadura na Primavera Árabe, também passou por eleições, mas não houve debate na TV.

Fotouh falou várias vezes na adoção de leis islâmicas na nova Constituição. Analistas afirmam que essa seria uma estratégia para atrair o eleitorado religioso, ainda dividido entre ele e o candidato da Irmandade Muçulmana, Mohamed Morsi, que não participou do debate. Durante a discussão, Moussa cometeu uma gafe embaraçosa: chamou o Irã, persa, de "país árabe". / AP

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