AFP
AFP

Primeiro deputado muçulmano dos EUA convoca 'manifestações em massa' contra Trump

Keith Ellison diz que veto a imigrantes e refugiados ‘é uma afronta absoluta para a América’ e estimula o sentimento antiamericano

O Estado de S. Paulo

28 Janeiro 2017 | 19h14

HOUSTON - O deputado americano Keith Ellison, que em 2007 se tornou o primeiro muçulmano eleito para o Congresso, disse em entrevista neste sábado, 28, que aqueles que forem contra o decreto sobre imigração e refugiados do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devem ir às ruas. "É hora de as pessoas se tornarem ativas, se envolverem, votarem e se organizarem", disse Ellison, que estava em Houston, Texas, para fazer uma campanha para o Comitê Nacional Democrata.

Autoridades federais dos Estados Unidos informaram neste sábado, 28, que qualquer cidadão de Iraque, Síria, Irã, Sudão, Líbia, Somália ou Iêmen, que não seja americano nato, será impedido de entrar no país. Isso vale, inclusive, para pessoas com visto de residência permanente (o chamado Green Card).

"Trump precisa ser parado e a energia das pessoas é o que nós temos para fazê-lo parar. Nós precisamos de manifestações em massa. Nós precisamos delas por todo o país. Nós precisamos delas no Texas. Nós precisamos delas em D.C. Nós precisamos delas em Minnesota." Em Houston, Ellison participou de reuniões com o Comitê Nacional Democrata, enquanto grupos de muçulmanos estavam coletando histórias de refugiados retidos.

"Eu ouvi que pessoas que estavam a caminho de Minnesota foram retidas", disse o deputado. "Eles estão parando pessoas na fronteira agora. Eles estão separando famílias. Isso é uma afronta absoluta para a América, como uma nação acolhedora que dá refúgio para pessoas em sofrimento. Basicamente, estamos enviando um sinal positivo para pessoas que odeiam esse país, porque agora o Estado Islâmico pode dizer: 'Viram? Eles não querem vocês'. Eles podem espalhar o ódio e o sentimento antiamericano."

Enquanto nenhum membro republicano do Congresso falou contra as ordens executivas de sexta-feira à noite, Ellison apontou que colegas dele foram contra essas ordens no passado - antes das eleições de 2016. "O presidente da Câmara, Paul Ryan, disse que usar religião como um critério para qualquer tratamento de pessoas é errado e não americano," disse Ellison. "Bom, Trump disse que queria banir os muçulmanos. Ele selecionou apenas países muçulmanos para banir pessoas. Nós não podemos tolerar isso." / Com informações do Washington Post

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.