Primeiro detento solto por Obama denúncia tortura

Binyam Mohamed, um etíope com permissão de residência na Grã-Bretanha, retornou a Londres nesta segunda-feira após permanecer quase sete anos sob custódia do Exército americano. Mohamed, que passou os últimos quatro anos detido na prisão de Guantánamo, acusou Washington de torturá-lo e disse que o governo britânico colaborou com os Estados Unidos durante o tempo em que ficou preso.Ele retornou à Grã-Bretanha em voo fretado depois de o governo americano ter concordado, na semana passada, com um pedido de Londres para libertá-lo. O ex-detento foi solto e todas as acusações contra Mohamed foram retiradas após negociações entre os dois governos. Ele é o primeiro prisioneiro de Guantánamo a ser libertado desde que o presidente dos EUA, Barack Obama, chegou ao poder e prometeu fechar a carceragem existente na base mantida pela marinha americana na localidade cubana.Claramente abatido e magro, Mohamed disse que não tinha capacidade física ou mental para falar com a imprensa, mas divulgou um comunicado por meio de seus advogados no qual criticava Washington pela maneira com a qual foi tratado nos últimos anos. ?Eu tive uma experiência que nunca pensei que teria nem em meus mais sombrios pesadelos?, afirmou em nota. ?Antes dessa penosa provação, ?tortura? era uma palavra abstrata para mim. Eu nunca imaginei que poderia ser vítima dela. É muito difícil acreditar que fui sequestrado, transportado de uma país para outro e torturado de maneira medieval - tudo orquestrado pelo governo dos Estados Unidos.?Passaporte falsoMohamed foi preso em abril de 2002 em Karachi, no Paquistão, depois de tentar usar um passaporte falso para voltar para a Grã-Bretanha. Ele afirma que por três meses foi torturado por agentes paquistaneses que o mantiveram pendurado durante uma semana com seus pulsos amarrados.Durante esse tempo, ele afirma que teria sido interrogado por pelo menos um agente do serviço secreto britânico.O governo do Marrocos negou as acusações e os EUA também rejeitaram as declarações do ex-detento. No entanto, a Procuradoria-Geral da Grã-Bretanha anunciou que vai investigar a suposta colaboração de seus agentes de inteligência no processo de detenção do etíope. As informações são da Associated Press.

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