Primeiro dia da Apec repete G20

A idéia central foi que colocar obstáculos ao livre-comércio não faria nada mais do que agravar a situação da economia mundial

EFE

23 de novembro de 2008 | 04h46

O primeiro dia da Cúpula de Chefes de Estado e de Governo do Fórum de Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec) pareceu uma jornada de continuidade da última cúpula do Grupo dos Vinte (G20), com países comprometidos a não levantar barreiras protecionistas em um ano e com uma nova aproximação entre Estados Unidos e Rússia perante o conflito iraniano. A idéia central, que já se impôs sem discussão nos debates nestes dias prévios à cúpula, foi que colocar obstáculos ao livre-comércio não faria nada mais do que agravar a situação da economia mundial. Para deixar bem clara esta vontade antiprotecionista, os 21 países do Apec se comprometeram a não "levantar barreiras ao investimento ou ao comércio de bens e serviços, impondo novas restrições à exportação" nos próximos 12 meses. Esta idéia aparece em um documento articulado como uma ode à economia liberalizada, um documento que o Governo peruano quis separar da declaração oficial da cúpula, que tratará sobre 12 assuntos. Para os 21 membros do Apec, a solução para o redemoinho financeiro e econômico não está no protecionismo, mas em manter os princípios do livre mercado que inspiraram esta organização desde sua criação em 1989, diz a declaração. Em sua declaração os governantes apóiam também os esforços das instituições financeiras e dos bancos privados "para assegurar que esteja disponível o financiamento adequado para os negócios, incluindo pequenas e médias empresas, e manter o fluxo de comércio e investimento na região", diz a declaração. Os governantes se referiram também alusão quase superficialmente a outros "grandes desafios que tem a região", como a mudança climática, a segurança energética, um desenvolvimento limpo e a luta contra a fome, a pobreza, a doença e o terrorismo", temas que estiveram ausentes do debate nos passados dias. Uma das personalidades que mais brilhou nesta jornada foi o presidente colombiano Álvaro Uribe, único chefe de estado não membro do Apec convidado para a cúpula de Lima e que tem nada menos que o apoio de EUA, China, Japão e Rússia para incorporar a Colômbia ao Apec em 2010, além de um TLC com o Canadá e um acordo de promoção de investimentos com a China. Apesar de o Apec ter um tom marcadamente apolítico, a convergência em Lima de tantos governantes de grandes potências propiciou um inevitável tratamento de questões puramente políticas, como o programa nuclear coreano ou a crise na Geórgia. Assim, uma reunião de três lados em Lima entre os governantes de EUA, Japão e Coréia do Sul cristalizou no anúncio para o próximo mês de novas conversas internacionais para a desnuclearização da Coréia do Norte, protagonizadas pelos quatro países mencionados mais Rússia e China, que serão celebradas neste último país. O presidente russo Dmitri Medvedev, que chegou a esta cúpula com um perfil muito baixo (não vai fazer nenhum discurso nem traz propostas econômicas) aproveitou para se reunir com George W. Bush e com o primeiro-ministro japonês, Taro Aso. Um porta-voz da Casa Branca reconheceu que as diferenças de ambos sobre a Geórgia, "continuam", mas a novidade foi que eles ressaltaram a necessidade de cooperar em assuntos como o Irã, para evitar que o país desenvolva um programa de armamento nuclear, um assunto onde ambos mantiveram no passado diferenças profundas. Os dois presidentes, além disso, trataram sobre a necessidade de continuar sua cooperação para evitar que o Irã desenvolva um programa de armamento nuclear e que essa cooperação siga com o Governo do próximo presidente dos EUA, Barack Obama, que tomará posse de seu cargo no próximo 20 de janeiro. Na reunião de Medvedev com Aso havia a incerteza se ele tocaria no assunto do conflito das Ilhas Curilas, apesar dessa questão preocupar pouco a Rússia e mais o Japão. A presença em Lima de tantos dirigentes mundiais gerou inéditas necessidades de segurança que passaram não só pela mobilização de 39.000 policiais, mas também pelo uso de uma fragata da Armada peruana e um porta-aviões americano com aviões F16. Os distritos próximos aos hotéis das delegações e ao local de reuniões foram virtualmente tomados pelas forças de segurança peruanas, que fecharam ruas ao trânsito de veículos e pedestres e postaram policiais em pontes e prédios públicos. Uma manifestação de apenas 200 pessoas nas cercanias da embaixada dos EUA, convocada contra a presença de Bush e a própria cúpula do Apec, mereceu a estrita vigilância de um número superior de policiais, vários a cavalo, apesar de que em nenhum momento tenham sido criados distúrbios nem violência.

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