EFE/Miguel Gutiérrez
EFE/Miguel Gutiérrez

Primeiro dia de greve na Venezuela termina com dois mortos

Procuradoria não detalhou a causa das mortes de um adolescente de 16 anos, em Caracas, e um homem de 30, em Ejida

O Estado de S.Paulo

26 Julho 2017 | 17h39
Atualizado 27 Julho 2017 | 03h35

CARACAS - O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, enfrentou nesta quarta-feira, 26, o primeiro de dois dias de mais uma greve geral convocada pela oposição. A três dias da eleição da controversa Assembleia Constituinte, duas pessoas morreram em protestos e 13 funcionários do governo sofreram novas sanções dos Estados Unidos.

Um jovem de 16 anos morreu em Caracas, no bairro de Petare, e um homem de 30 anos, identificado como Rafael Vergara, morreu durante uma manifestação em Ejida, no Estado de Mérida. As mortes foram confirmadas pelo Ministério Público, que não detalhou causas ou possíveis responsáveis. Assim, sobe para 105 o número de vítimas fatais em confrontos com forças de segurança desde o início dos protestos, em abril.

Nesta quarta, militares e policiais atiraram usando armas de chumbo e lançaram bombas de gás lacrimogêneo para dispersar manifestantes, que os enfrentaram com coqueteis molotov e pedras. Confrontos foram registrados durante o dia em Caracas e outras cidades venezuelanas como Maracay, Maracaibo e San Cristóbal. 

Em Bello Campo, ao leste de Caracas, os confrontos foram mais violentos e se estenderam até a noite. Uma chuva de pedras, garrafas e outros objetos caía de edifícios sobre tropas militares. Com barricadas de escombros nas ruas, comércio fechado e moradores confinados dentro de suas casas, os opositores cumpriram a primeira jornada de 24 horas das 48 previstas.

A Mesa da Unidade Democrática (MUD), coalizão opositora que organiza a greve, estimou adesão de 92% da população. Nesta quinta-feira, está prevista uma grande manifestação e um boicote contra a votação de domingo. Muitos venezuelanos se abasteceram de alimentos antes da paralisação, e milhares cruzaram a pé a fronteira com a Colômbia para se proteger durante a greve ou deixar definitivamente o país.

Maduro enfrenta também o mal estar pela profunda crise econômica que atinge o país, com alimentos e medicamentos escassos e preços elevados a cada semana. Muitas empresas internacionais deixaram o país nos últimos meses, como a companhia aérea Avianca, que anunciou nesta quarta que deixará de operar voos em direção à Venezuela.

O presidente descarta suspender a eleição dos parlamentares para a Constituinte e afirma que a iniciativa "é o único caminho para a paz" no país. A oposição alega que a Constituinte planejada pelo presidente é uma fraude, elaborada somente para mantê-lo no poder.

Na semana passada, milhões de pessoas participaram de uma greve de 24 horas, na qual empresas fecharam as portas, famílias permaneceram dentro de suas casa e ruas foram fechadas ou ficaram vazias em várias partes da Venezuela.

Governo

O governo venezuelano começou a se mobilizar para conseguir estabelecer a Assembleia Constituinte e uma das estratégias do chavismo é realizar o chamado "maquinário 4x4", em que cada membro das organizações de base do partido governista e dos movimentos sociais deve levar 10 eleitores às urnas. 

Caracas também afirmou que verificará se os beneficiários de seus programas sociais votarão na eleição da Assembleia, por meio da apresentação do chamado "carnê da pátria" nas seções eleitorais. O documento, que contém um "QR code" (similar a um código de barras) com informações sobre o usuário, permite, entre outras coisas, adquirir alimentos subsidiados, em meio ao desabastecimento e à grave inflação que atingem o país. / AFP

 

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