Primeiro diálogo entre Hong Kong e estudantes termina sem grandes avanços

Primeiro diálogo entre Hong Kong e estudantes termina sem grandes avanços

Ativistas pró-democracia alcançaram uma tímida aproximação do Executivo em relação às suas exigências, mas recusaram-se a deixar as ruas

O Estado de S. Paulo

21 de outubro de 2014 | 17h01

Hong Kong - O primeiro diálogo entre o governo de Hong Kong e a Federação dos Estudantes, que representa os manifestantes nas negociações, terminou nesta terça-feira, 21, sem grandes avanços para pôr fim aos protestos, mas com uma tímida aproximação do Executivo em relação às exigências dos ativistas, que mostraram cautela e descartaram, por enquanto, deixar as ruas.


Carrie Lam, a número 2 do governo de Hong Kong, abriu a rodada de discussões deixando clara a posição que o Executivo vem defendendo até agora. "Qualquer desenvolvimento político que ocorra em Hong Kong deve obedecer ao referendado na Lei Fundamental de Hong Kong, na qual Pequim tem um papel primordial", disse.

Os argumentos do governo giraram em torno dessa linha ao longo das quase duas horas de conversa na qual participaram cinco representantes do Executivo de Hong Kong e outros cinco da Federação dos Estudantes.

Na sessão de encerramento dos discursos, Lam expôs quatro possíveis propostas de ação em relação às mudanças democráticas que os manifestantes querem para Hong Kong.

A primeira, uma possível margem de manobra, dentro das diretrizes estabelecidas pelo governo de Pequim, para moldar o processo eleitoral de 2017 de forma que o mesmo pudesse satisfazer parte das reivindicações dos estudantes.

Em um segundo ponto, Lam abriu a possibilidade de uma reforma constitucional a partir de 2017, depois das eleições para o chefe de governo de Hong Kong.

Lam também propôs a ideia de criar uma plataforma onde serão reunidos os pontos de vista de diferentes setores sobre uma reforma constitucional para depois de 2017.

Além disso, Lam disse que o governo estaria considerando fazer um relatório sobre a visão dos cidadãos, a pedido do movimento Occupy, acerca da reforma eleitoral, para fazê-lo chegar ao Executivo de Pequim.

"Não podemos negar que, no último mês, o boicote iniciado por vocês é um movimento social de grande escala e seu impacto é de longo alcance", disse durante seu discurso.

Alex Chow, o secretário-geral da Federação dos Estudantes, disse em entrevista coletiva depois do diálogo que não houve propostas concretas por parte do governo para resolver as questões que tinham proposto, como a livre indicação de candidatos à chefia de governo nas eleições de 2017.

Chow demonstrou cautela em relação às propostas colocadas pelo governo por considerá-las "muito vagas".

Além disso, pediu que a reforma democrática conceda a livre indicação de candidatos para acabar com a disparidade de riqueza em Hong Kong e para não continuar "privando mais de 1 milhão de pessoas que vivem na pobreza de seus direitos políticos".

Chow se referiu às declarações que o chefe do Executivo, Leung Chun-ying, fez ontem, quando descartou o voto universal em Hong Kong porque, com isso, os votos dos pobres seriam maioria.

No meio do debate, Lester Shum, outro representante da Federação dos Estudantes, mostrou sua decepção com o discurso do governo, ao opinar que o Executivo "só pediu que aceitemos a decisão da Assembleia Popular Nacional (parlamento)".

"Não ouvimos nada sobre a maneira com a qual o governo vai resolver o atual problema político", acrescentou.

Yvonne Leung, a única representante feminina na mesa dos estudantes, disse que "o governo de Hong Kong está renunciando a sua responsabilidade". "Tem o dever constitucional de lutar por uma proposta de reforma democrática para Hong Kong".

"Não fizemos concessões suficientes? Muitos jovens sacrificaram seus estudos e seu tempo. Inclusive estamos dispostos a ser presos. O que queremos? O direito ao voto, o direito a ser votado e o direito de que todos os votos sejam considerados iguais", concluiu Shum.

O debate foi acompanhado por milhares de pessoas nas ruas por telões instalados nas três áreas da cidade onde ocorreram os protestos do movimento democrático. Em razão do debate, a polícia mobilizou 2 mil agentes nas ruas de Hong Kong. / EFE

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