Matthew Abbott / The New York Times
Matthew Abbott / The New York Times

Primeiro-ministro australiano defende resposta do governo a incêndios florestais

Scott Morrison, que tem sido criticado pela ação lenta contra fogo na Austrália, disse que 'culpa não ajuda ninguém neste momento'

Shonal Ganguly e Steve McMorran, Associated Press

05 de janeiro de 2020 | 13h21

SYDNEY - Temperaturas frescas e ventos mais calmos na Austrália trouxeram alívio neste domingo, 5, para as comunidades assoladas por incêndios florestais, mas a temperatura permaneceu alta para o primeiro-ministro Scott Morrison, que sofre pressão para aceitar a responsabilidade pela crise e tomar novas medidas.

"Estão tentando culpar alguém", disse Morrison em uma coletiva de imprensa. “Agora é o momento de focar na resposta que está sendo dada. A culpa não ajuda ninguém neste momento e analisar demais essas coisas não é um exercício produtivo".

Morrison anunciou neste sábado, 4, que enviaria 3 mil tropas do Exército, da Marinha e de reservistas da Aeronáutica para ajudar a combater os incêndios. Ele também comprometeu 20 milhões de dólares australianos para o aluguel de aviões de combate a incêndios.

Mas essas iniciativas pouco fizeram para diminuir as críticas de que Morrison tenha sido lento a agir, mesmo que ele tenha minimizado a necessidade de seu governo em lidar com as mudanças climáticas. Segundo os especialistas, o aquecimento global desempenhou um papel fundamental na superalimentação das chamas.

O amanhecer deste domingo teve uma paisagem negra, e confirmou o quadro de um desastre de escala sem precedentes. O Serviço de Bombeiros Rurais da Nova Gales do Sul disse que 150 incêndios estavam ativos no estado, 64 deles descontrolados.

Os incêndios atingiram a área mais densamente populosa da Austrália e já mataram pelo menos 24 pessoas, incluindo um homem de 47 anos que morreu no sábado à noite enquanto tentava evitar que a casa de um amigo pegasse fogo. Quase 2 mil casas foram destruídas.

Só em Nova Gales do Sul, os incêndios já mataram quase 500 milhões de aves, répteis e mamíferos, segundo o ecologista da Universidade de Sydney Chris Dickman disse ao Sydney Morning Herald.

Os australianos sempre esperam incêndios florestais no verão, mas as chamas chegaram mais cedo este ano, alimentadas pela seca e pelas temperaturas mais altas já registradas no país.

"Não é algo que já tenhamos experimentado antes", a premiê de Nova Gales do Sul, Gladys Berejiklian disse. "A atividade climática que estamos vendo, a extensão e propagação dos incêndios, a velocidade com que eles estão se movendo, a forma como estão atacando as comunidades que nunca foram atingidas por incêndios é sem precedentes", disse ela.

 

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