Tara Walton/NYT
Tara Walton/NYT

Primeiro-ministro canadense depõe no Parlamento em meio a escândalo

Justin Trudeau participou de discussões sobre contrato firmado com organização que remunerou seus familiares

Redação, O Estado de S.Paulo

30 de julho de 2020 | 23h10

OTTAWA - O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, testemunhou nesta quinta-feira, 30, diante de deputados sobre um contrato firmado com uma organização que remunerou familiares do mandatário, o que gerou um escândalo ético e político. 

Trudeau, que é investigado pela Comissão de Ética por seu papel nesse suposto conflito de interesses, se apresenta por uma hora nesta tarde para ser ouvido pelo Comitê de Finanças da Câmara dos Comuns.

Trata-se de um evento inédito para um chefe de governo no Canadá e sua apresentação gerou fortes reações na oposição.

Na semana passada, dois dos principais partidos de oposição a Trudeau pediram sua renúncia, que lidera um governo minoritário.

"Nem eu, nem meu pessoal tentamos ditar ou influir na recomendação emitida pelo serviço público sobre a We Charity" em 8 de maio, disse o premiê.

Em 13 de julho, o líder canadense se desculpou e admitiu ter cometido um "erro" em participar das discussões sobre a atribuição de um contrato governamental à instituição de caridade We Charity.

Esse contrato foi fechado sem um pedido de licitação, e autoriza o gerenciamento de um programa de bolsas de estudos estimado em US$ 660 milhões. 

O programa foi cancelado mais tarde, mas a polêmica continuou. A We Charity recebeu cerca de US$ 40 milhões, segundo informações da imprensa. 

"Como disse, deveria ter me retirado desta decisão para evitar qualquer suspeita de favorecimento", disse Trudeau, rejeitando "qualquer situação de conflito de interesses" e qualquer "tratamento preferencial".

Trudeau disse que estava a par das atividades de seus familiares na associação, mas que desconhecia sua remuneração.

"Ninguém acredita em você quando diz que não sabe quanto dinheiro a sua família recebeu desta associação", disse o deputado conservador Pierre Poilievre.

O primeiro-ministro também disse que não estava a par das viagens custeadas pela organização de caridade, das quais participou o ministro das Finanças, Bill Morneau, também sujeito a investigação da Comissão de Ética.

Na semana passada, o premier se desculpou e reembolsou mais de 41 mil dólares por despesas relacionadas com duas viagens humanitárias, nas quais ele e sua família participaram em 2017.

A Comissão de Ética já concluiu duas vezes que o primeiro-ministro violou a lei de conflito de interesses desde 2017. /AF´P

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.