REUTERS/Arnd Wiegmann
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Primeiro-ministro da Armênia denuncia tentativa de golpe militar

Estado-maior pediu a renúncia de Nikol Pashinyan após o líder civil demitir um assessor do general Onik Gasparian; protestos foram convocados na capital Yerevan

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2021 | 07h00

O primeiro-ministro da Armênia, Nikol Pashinyan, denunciou nesta quinta-feira, 25, uma tentativa de golpe militar contra seu governo. O Estado-Maior do Exército armênio pediu a renúncia de Pashinyan, que respondeu convocando seus apoiadores para uma manifestação na capital, Yerevan.

"Considero que a declaração do Estado-Maior é uma tentativa de golpe de Estado militar. Peço a todos os nossos partidários que se reúnam na Praça da República em Yerevan", escreveu Pashinyan em sua página no Facebook. Em transmissão ao vivo, ele demitiu o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, o general Onik Gasparian, e disse que o substituto seria anunciado posteriormente. Ele disse que a crise seria superada constitucionalmente.

"O problema mais importante agora é manter o poder nas mãos do povo, porque considero o que está acontecendo como um golpe militar", disse Pashinyan.

Na véspera, Pashinyan demitiu um assessor de Gasparian, o que levou o Estado-maior a pedir sua renúncia por julgar que o primeiro-ministro "já não está em condições de tomar decisões que lhe são impostas". Não ficou claro se o exército estava disposto a usar a força para apoiar a declaração em que pedia a renúncia de Pashinyan, ou se seu pedido de demissão foi apenas verbal.

Pashinyan enfrenta protestos e apelos para sair do cargo por críticos que o acusam de ter tido uma gestão desastrosa do conflito entre forças étnicas armênias na região de Nagorno-Karabakh e o Azerbaijão no ano passado. Manifestantes de oposição saíram as ruas na semana passada e devem voltar a protestar pela saída do primeiro-ministro.

Arayik Harutyunyan, o presidente do enclave de Nagorno-Karabakh, ofereceu-se para agir como mediador entre Pashinyan e o Estado-maior. "Já derramamos sangue suficiente. É hora de superar as crises e seguir em frente. Estou em Yerevan e estou pronto para me tornar um mediador para superar esta crise política", disse ele, pedindo a todos os lados que não aumentem.

Tropas étnicas armênias cederam áreas de território dentro e ao redor de Nagorno-Karabakh para o Azerbaijão em um conflito no ano passado que matou milhares de pessoas.

Um cessar-fogo assinado por líderes da Armênia, Azerbaijão e Rússia em novembro passado interrompeu a ação militar dentro e ao redor do enclave, que é internacionalmente reconhecido como parte do Azrbaijão, mas habitado por armênios étnicos. Cerca de 2.000 soldados russos de manutenção da paz estão sendo enviados à região. A Rússia também tem uma base militar na Armênia, uma ex-república soviética./ AFP e REUTERS

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