Ozan KOSE / AFP
Ozan KOSE / AFP

Primeiro-ministro da Grécia diz que não vai tolerar nenhuma entrada ilegal de imigrantes

Turquia deixou de controlar as fronteiras para refugiados que tentem entrar na Europa após acirramento de tensões com a Síria; país tem 3,6 milhões de sírios que fugiram da guerra

Redação, O Estado de S.Paulo

28 de fevereiro de 2020 | 14h01

ATENAS - O primeiro-ministro da GréciaKyriakos Mitsotakis, afirmou nesta sexta-feira, 28, que não vai tolerar nenhuma entrada ilegal de imigrantes provenientes da Turquia em seu país. A Turquia anunciou que vai parar de impedir que os migrantes que tentam entrar na Europa cruzem a fronteira.

"Quero ser claro: não será tolerada nenhuma entrada ilegal", escreveu Kyriakos Mitsotakis em seu Twitter. Antes, ele também afirmou que a Grécia tinha reforçado a segurança de suas fronteiras com a Turquia após a tentativa de centenas de pessoas cruzarem o posto fronteiriço de Kastanies. O chefe de gabinete grego e o ministro da Proteção ao Cidadão chegaram à região depois que o governo decidiu aplicar mais "severidade" no controle de fronteira.

Uma fonte do exército grego explicou que cerca de 300 migrantes haviam sido vistos no lado turco da fronteira, na região de Evros, a nordeste. "É um número que não está longe do normal", disse. 

A decisão de "abrir as portas" foi tomada durante um conselho de segurança extraordinário presidido pelo presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan. A reunião foi convocada após a morte de 33 soldados turcos na região de Idlib (noroeste da Síria) em atentados atribuídos por Ancara ao governo sírio, apoiados militarmente pela Rússia. "Não vamos mais deter os que querem chegar à Europa", declarou um funcionário do alto escalão turco ouvido pela AFP.

A Turquia, que abriga cerca de 3,6 milhões de sírios que fugiram da guerra, teme que mais migrantes batam à sua porta, o que aumentará a rejeição de sua população à presença desses estrangeiros no país. 

Não é a primeira vez que a Turquia ameaça abrir as fronteiras da Europa aos imigrantes. O país tem usado o bloqueio como ameaça, segundo observadores internacionais, para pressionar a União Europeia, ainda traumatizada pela crise migratória de 2015.

A Grécia e outros países da União Europeia temem que o número de refugiados na Síria aumente com o avanço da guerra que começou em 2011. Em 2015, um milhão de refugiados e migrantes chegaram à Europa e, mais tarde, um acordo entre a UE e a Turquia, começou a regular esse fluxo de pessoas. / AFP

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