AFP PHOTO / PAUL FAITH
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Primeiro-ministro da Irlanda do Norte renuncia em meio a suposto retorno do IRA

Ele disse que renunciava em razão da recusa de seus parceiros de governo em suspender as atividades da Assembleia até que a Polícia esclareça o suposto envolvimento de ex-membros do teoricamente inativo grupo em um assassinato

O Estado de S. Paulo

10 Setembro 2015 | 15h25

BELFAST -  O primeiro-ministro da Irlanda do Norte, Peter Robinson, líder do Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês), anunciou nesta quinta-feira, 10, sua renúncia e a de vários ministros, após as recentes revelações sobre a suposta atividade de ex-membros do Exército Republicano Irlandês (IRA).

Em entrevista coletiva, Robinson disse que a ministra de Finanças, Arlene Foster, ocupará o cargo interinamente para assegurar "que nacionalistas e republicanos não tomem decisões financeiras e de outro tipo que possam ser prejudiciais para a Irlanda do Norte".

A saída de Robinson afunda em uma crise o governo autônomo de poder compartilhado entre unionistas e republicanos, mas em princípio as instituições continuarão funcionando.

Robinson disse que renunciava em razão da recusa de seus parceiros de governo em suspender as atividades da Assembleia (Legislativo) até que a Polícia esclareça o suposto envolvimento de ex-membros do teoricamente inativo grupo IRA em um assassinato cometido em agosto. 

O Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP), o Sinn Féin e o Partido Unionista do Ulster (UUP) votaram hoje contra uma moção para suspender o Parlamento autônomo.

A Polícia norte-irlandesa deteve ontem três homens em relação à morte no mês passado de Kevin McGuigan, ex-membro do IRA, entre eles o conhecido político do Sinn Féin Bobby Storey.

"O fracasso do SDLP e do Sinn Féin na aplicação dos Acordos de Stormont, junto com a análise do delegado sobre o suposto envolvimento do IRA em um assassinato, a possível vigência das estruturas do IRA e as detenções subsequentes levaram ao limite o governo autônomo", declarou Robinson.

O líder do DUP disse que saiu do governo devido à decisão de "republicanos, nacionalistas e do Partido Unionista do Ulster de continuar como se nada tivesse acontecido na Assembleia".

A morte de McGuigan já levou, no final de agosto, o UUP a sair do governo, o que deixou o Executivo com quatro legendas: o Sinn Féin, antigo braço político do IRA - que renunciou a sua atividade em 2005 -, o SDLP e o Partido da Aliança da Irlanda do Norte (APNI), além do DUP.

Gerry Adams, presidente do Sinn Féin, declarou que a rivalidade eleitoral entre os partidos unionistas UUP e DUP está motivando a crise política vivida pela Irlanda do Norte e pôs em dúvida o processo que levou à detenção de Bobby Storey.

No entanto, alguns críticos dizem que os assassinatos mostram que o IRA continua ativo e uma violenta força paramilitar, apesar do acordo de paz. / EFE

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