Primeiro-ministro da Malásia vence disputada eleição

O primeiro-ministro da Malásia, Najib Razak, venceu uma disputada eleição neste domingo, que deve capacitá-lo a dar continuidade a uma série de ambiciosos planos de gastos designados a acelerar o crescimento econômico e ajudar o país asiático a alcançar os vizinhos mais ricos. Um número recorde de malaios foi às urnas neste domingo manifestar a preferência na disputa entre Razak e a oposição, liderada pelo carismático Anwar Ibrahim.

AE, Agência Estado

05 de maio de 2013 | 18h17

À medida que os resultados mostravam a vantagem da coalizão Frente Nacional, de Razak, apoiadores comemoravam em motocicletas nas ruas de Kuala Lumpur, com bandeiras e buzinaço. Nas primeiras horas de segunda-feira (06), no horário local, a comissão eleitoral do país mostrou que a Frente Nacional obteve 123 das 222 cadeiras do Parlamento, o suficiente para formar um governo. Já a oposição ficou com 74 cadeiras, enquanto outras 25 ainda são computadas.

A comissão eleitoral informou que cerca de 80% dos 13,3 milhões de eleitores aptos a votar exerceram o direito, porcentual maior do que os 76% que foram às urnas nas eleições gerais de 2008. A população da Malásia é de 28 milhões de habitantes. A contagem teve início assim que as urnas foram fechadas, às 5 horas (horário de Brasília).

"A média de comparecimento às urnas era de 70% a 75% no passado. Oitenta por cento é um número muito bom, mas a questão é quantos deles são eleitores legítimos", disse o professor-doutor Andrew Aeria, que leciona Ciência Política na Universidade Malaysia Sarawak.

Embora a eleição tenha se encerrado de forma pacífica, o pleito atraiu críticas pela falta de probidade. Alguns cidadãos disseram que a tinta aplicada no dedo indicador dos eleitores, para impedir que votassem várias vezes, podia ser retirada facilmente, acusação negada pela comissão eleitoral. "Mesmo tentando retirar a tinta com força, uma pessoa não conseguiria retirá-la completamente", declarou o vice-presidente da Comissão Eleitoral, Wan Ahmad Wan Omar, ao jornal "The Wall Street Journal".

Os eleitores decidiram manter no poder a Frente Nacional, a coalizão que governa o país, ininterruptamente, desde a independência do Reino Unido, em 1957 - em meio ao período de forte crescimento econômico -, privando a oposição da chance de pôr em prática as promessas de erradicar a corrupção, elevar os salários e melhorar as condições de vida.

Razak, filho de um ex-primeiro-ministro que estudou na Grã-Bretanha, busca apoio para levar adiante o ambicioso Programa de Transformação Econômica, avaliado em US$ 444 bilhões, cujo objetivo é elevar a Malásia para o nível da vizinha Cingapura até 2020. Já o opositor Anwar, de 65 anos, disse que esta era a última tentativa de chegar ao poder.

Desde que assumiu o cargo, quatro anos atrás, Razak, de 59 anos, tem implementado reformas com o objetivo de superar as propostas de Anwar. Ele eliminou uma antiga lei que permitia que as forças de segurança detivessem críticos sem um julgamento e começou a suprimir um programa de ações afirmativas, ao mesmo tempo em que acelerou um projeto de vendas de ativos para reduzir o peso do governo na economia.

Razak afirma que apenas a Frente Nacional pode manter a estabilidade na Malásia, um país multirracial de maioria muçulmana. Investidores estrangeiros detêm quase metade da dívida do governo, um testemunho da confiança no contínuo progresso da economia, fato que tem ajudado a retirar milhões de cidadãos da pobreza. As informações são da Dow Jones.

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