Primeiro-ministro de Portugal renuncia

José Sócrates deixa cargo após Parlamento rejeitar seu plano de recuperação econômica

Efe

23 de março de 2011 | 18h55

Premiê acusou oposição de colocar interesses partidários à frente dos nacionais.

 

LISBOA - O primeiro-ministro de Portugal, José Sócrates, apresentou nesta quarta-feira, 23, sua renúncia, informou um comunicado publicado pela presidência do país europeu na internet. O presidente, Aníbal Cavaco Silva, vai se reunir com representantes dos partidos políticos na sexta. Enquanto isso, o atual Executivo será mantido como interino.

 

Sócrates justificou sua renúncia pela rejeição da oposição, no Parlamento, a seu plano econômico para tentar superar a crise atravessada pelo país. Ele acusou as forças da oposição de pôr o interesse partidário na frente dos nacionais e as responsabilizou pelos problemas que Portugal poderá sofrer.

 

Sócrates disse que vai continuar como primeiro-ministro interino até que um novo governo possa ser formado. Ele afirmou ser impossível governar sem o apoio do Parlamento. "Hoje estou convencido de que o país perdeu", acrescentou.

 

Ele planeja viajar para Bruxelas na quinta para se reunir com líderes da União Europeia (UE) e poderá requisitar ajuda financeira se necessário, embora seus poderes de negociação e execução de política passem a ser extremamente limitados como chefe de governo provisório, dizem analistas. O euro caiu às mínimas da sessão em relação ao dólar em Nova York, a US$ 1,4077, após o anúncio de que o Parlamento português rejeitou o plano proposto pelo governo.

 

Promessa

 

Sócrates e o ministro das Finanças, Fernando Teixeira dos Santos, haviam prometido cortar o déficit do Orçamento de Portugal a 4,6% do Produto Interno Bruto (PIB) este ano, de cerca de 7% em 2010 e 9,3% em 2009. Recentemente, eles anunciaram novas medidas de austeridade fiscal que seriam destinadas a assegurar aos investidores que as metas de redução de déficit para os próximos três anos podem ser cumpridas.

 

A renúncia de Sócrates forçará o presidente Aníbal Cavaco Silva a consultar se os partidos políticos com representação no Parlamento querem e podem formar um novo governo. Se isto não for possível, o presidente terá de dissolver o Parlamento e convocar eleições antecipadas, que devem ser realizadas até 55 dias após a dissolução. As informações são da Dow Jones.

Tudo o que sabemos sobre:
PortugalSócratesEuropa

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.