Primeiro-ministro decreta toque de recolher no Chade

Medida é tomada um dia após presidente afirmar que tinha o total controle do país após choques com rebeldes

Agência Estado e Associated Press,

07 de fevereiro de 2008 | 13h54

O primeiro-ministro do Chade, Nouradin Koumakoye, decretou nesta quinta-feira, 7, toque de recolher na capital e outras regiões do país numa tentativa de restaurar a ordem depois de dias de combates que deixaram centenas de mortos e forçaram milhares a deixarem o país.   Chade promete alcançar rebeldes no Sudão   O toque de recolher das 18h30 às 6h da manhã foi decretado por Koumakoye em Ndjamena e seis outras regiões do sul e do leste apenas um dia depois de o presidente Idriss Deby ter garantido que seu governo tinha total controle de todo o país depois dos confrontos do fim de semana com rebeldes. Koumakoye justificou que a medida era necessária para "restaurar a calma no país e lidar com os danos provocados pelo Exército sudanês".   O Sudão tem negado insistentemente que apoiou os rebeldes que entraram na capital no fim de semana, mas foram rechaçados pelas forças governamentais.   Numa entrevista à rádio Europe-1 divulgada nesta quinta, o presidente Deby emitiu um "chamado solene" a uma planejada força de paz européia para ser rapidamente enviada ao Chade a fim de aliviar a pressão sobre suas próprias forças. A missão militar da União Européia (UE) visa a proteger refugiados do conflito na região de Darfur, no Sudão, e civis deslocados pela luta no Chade. A França, mentora do plano de paz, tem tido dificuldade em convencer seus aliados europeus de que a força não será usada para fortalecer Deby.   O presidente argumentou na Europe-1 que "ser protetor de 300 mil refugiados sudaneses e 170 mil desalojados chadianos é um grande peso e exige muito de nossa força". O governo do Chade e um assessor do presidente francês Nicolas Sarkozy acusaram Cartum de apoiar os rebeldes chadianos a fim de evitar a chegada dos soldados de paz - há muito o Sudão resiste a tal missão militar.   A força européia teria 3.700 efetivos, com a França, antigo poder colonial do Chade, sendo o maior contribuinte. O envio das tropas, postergado primeiro por problemas logísticos, foi adiado novamente devido ao ataque rebelde à capital.   Caso Arca de Noé   Deby também adiantou à Europe-1 que estava "pronto para perdoar" ativistas humanitários franceses condenados em dezembro por tentarem seqüestrar 103 crianças que eles diziam serem órfãos de Darfur. Ele havia feito comentários semelhantes ontem, depois que a França anunciou que poderia entrar na luta contra os rebeldes se fosse necessário.   Os rebeldes acusam Deby de corrupção e de desviar milhões de dólares oriundos da venda de petróleo. Enquanto muitos chadianos concordam com as denúncias, o levante parecia ser uma briga pelo poder entre a elite que há muito controla o Chade - entre os líderes revoltosos estão Mahamat Nouri, um ex-ministro da Defesa e Timan Erdimi, um sobrinho de Deby que já foi seu chefe de gabinete.   Na quarta-feira, depois de se reunir em Ndjamena com o ministro da Defesa francês, Deby declarou: "Estamos em total controle, não apenas da capital, mas de todo o país. As forças de segurança rechaçaram os agressores. Os mercenários dirigidos pelo Sudão foram forçados a fugir".   O ministro francês, Herve Morin - que fez uma visita de poucas horas na quarta ao Chade numa demonstração de apoio a Deby - sugeriu que os rebeldes não haviam sido eliminados e que uma coluna de reforços estava a caminho. Oficiais franceses disseram que de 100 a 200 veículos rebeldes teriam se reagrupado a leste da capital. O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse esta semana que Paris ajudaria Deby se fosse necessário. Atualmente, a França possui mais de 1.500 soldados no Chade.   O líder chadiano disse na entrevista à rádio que o apoio francês vinha sendo limitado à "vigilância da fronteira em Adre" com sobrevôos de caças Mirage. Adre é uma cidade na fronteira com o Sudão por onde, acusa Deby, os rebeldes estariam ingressando no Chade.

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