EFE/JEAN JACQUES AUGUSTIN
EFE/JEAN JACQUES AUGUSTIN

Primeiro-ministro do Haiti renuncia, mas presidente rejeita demissão

Evans Paul entregara o cargo para tentar pôr fim à crise política que impediu a escolha do próximo presidente haitiano; missão da OEA está no país para mediar crise interna

O Estado de S. Paulo

02 de fevereiro de 2016 | 16h26

PORTO PRÍNCIPE -  O primeiro-ministro do Haiti, Evans Paul, renunciou nesta terça-feira para tentar conter a crise eleitoral que afeta o país. Mas o presidente Michel Martelly, cujo mandato termina no domingo, rejeitou a renúncia, informou a mídia haitiana. 

O presidente disse que está avançando o processo de negociações de seu governo com a missão da Organização dos Estados Americanos (OEA), que está no Haiti desde o domingo em busca de uma saída para a crise que ameaça a frágil democracia haitiana.

Os opositores do presidente não querem que novas eleições sejam organizadas com Martelly no poder, nem com o premiê, que é considerado parte do círculo presidencial.

Paul redigiu sua carta de renúncia na segunda-feira, afirmou uma fonte do alto escalão de seu gabinete. Conforme uma proposta esboçada por Martelly e líderes do Parlamento, a substituição de Paul seria decidida por consenso e aprovada pela legislatura e pelo presidente esta semana, afirmou o parlamentar Gary Bodeau.

O novo premiê governaria conjuntamente com um conselho de ministros depois que Martelly encerrar seu mandato, no domingo, disse Bodeau.

Evans Paul, que assumiu o cargo em 17 de janeiro de 2015, foi prefeito da capital, Porto Príncipe, em 1990, e em 2006 tentou, sem sucesso, chegar à presidência. Ele foi um aliado do ex-presidente Jean Bertrand Aristide e é líder do partido Convênio pela Unidade Democrática (CUD).

A oposição a Martelly, no entanto, rejeitou a iniciativa. “Isso é uma piada”, disse Samuel Madistin, porta-voz de um grupo de oito partidos opositores. 

O senador Carl Murat Cantave disse, logo após o anúncio da renúncia de Evans, que três opções estavam sendo discutidas para o cargo de premiê interino – uma delas o próprio Paul. “Todos os três são aliados do presidente e não queremos nenhum deles”, disse Volcy Assad, do partido Petit Desalin. “A iniciativa deles é inútil.”

O Haiti deveria ter realizado no dia 24 o segundo turno das eleições presidenciais, que foram adiadas dois dias antes pelo Conselho Eleitoral Provisório (CEP) diante da situação de violência vivida pelo país e que deixou pelo menos três mortos.

Participariam das eleições o candidato governista, Jovenel Moise, e o opositor, Jude Celestin, que rejeitou disputar o segundo turno alegando que houve fraude no primeiro, realizado em 25 de outubro.

Desde os anos 80 a empobrecida nação caribenha vem tentando construir uma democracia estável na esteira das décadas de governo da família Duvalier. Uma missão da ONU comandada pelo Brasil está no país desde 2004. Em 2010, o país sofreu um catastrófico terremoto. / EFE e REUTERS

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