Primeiro-ministro do Nepal renuncia

O primeiro-ministro do Nepal, Girija Prasad Koirala, apresentou sua renúncia ao cargo, esta quinta-feira, pressionado pelo crescimento dos ataques da guerrilha maoísta, por um escândalo de corrupção e pelas críticas envolvendo o assassinato de vários membros da família real. O rei Gyanendra aceitou a renúncia, mas pediu que o primeiro-ministro e seu gabinete permaneçam em no cargo até que um substituto seja escolhido.Koirala, que ocupou o cargo de primeiro-ministro durante a maior parte dos 11 anos transcorridos desde que a monarquia absoluta nepalesa foi derrubada por uma revolta popular, entregou sua renúncia ao rei Gyanendra, monarca constitucional, no Palácio Narayahiti. Foi nesse mesmo palácio que o antecessor de Gyanendra, o rei Birendra, a rainha Aiswarya e outros membros da família real morreram no dia 1º de junho, em um crime cometido pelo príncipe herdeiro Dipendra, que se suicidou. Gyanendra é irmão do falecido rei. O massacre da Família Real foi o tiro de misericórdia na credibilidade do antigo primeiro-ministro. Grande parte da população do país ? inclusive os rebeldes maoístas - duvidaram da versão oficial do massacre, de que o Príncipe herdeiro, bêbado e sob efeito de drogas, tivesse assassinado sua família. Existem até hoje suspeitas sobre um complô palaciano encabeçado pelo novo rei e seu impopular filho, o novo herdeiro. Desde o massacre, a guerrilha intensificou seus ataques. Os guerrilheiros, que lutam pelo fim da monarquia, elogiam o falecido Birendra como ?um rei liberal?, e consideram o novo monarca uma ?marionete da Índia e da CIA norte-americana.?Os partidos de oposição buscavam a renúncia de Koirala desde o início do ano, por causa de suspeitas de suborno em torno da aquisição de um avião da companhia aérea austríaca Lauda Air para a companhia estatal Royal Nepal Airlines. O ministro da Aviação Civil, Tarini Dutta Chataut, também apresentou sua renúncia por conta do escândalo, e está sendo processado na justiça, acusado de irregularidades financeiras. O comitê que investigou o caso aconselhou Koirala a ser mais cuidadoso no trato dos negócios do governo, mas decidiu não processá-lo.A situação de Koirala se agravou ainda mais com a intensificação da violência dos rebeldes maoístas. Na semana passada, os rebeldes atacaram uma delegacia de polícia na região central do país e mantiveram 70 agentes como reféns. Pela primeira vez, Koirala ordenou que o exército empreendesse ações contra os rebeldes, mas os militares não conseguiram resgatar os cativos. Mais de 1.600 pessoas, entre rebeldes, agentes de segurança e civis já morreram nas lutas que afligem o país desde 1996, quando a guerrilha, que declaradamente se inspira nos peruanos do Sendero Luminoso, fez a primeira tentativa de instaurar uma república comunista no país. Substituto - O partido do Congresso Nacional, detentor do poder no Nepal, vai eleger um novo líder no próximo domingo, para substituir o primeiro-ministro renunciante. Antes disso, porém, os caciques do partido terão de chegar a um consenso sobre quem será o candidato que será escolhido de forma unânime. Um dos principais postulantes é Sushil Koirala, sobrinho do atual premiê e secretário-geral do partido. Entretanto, é o antigo primeiro-ministro, Sher Bahadur Deuba, que disputou a liderança com Koirala no ano passado, o mais cotado para o cargo. Deuba lidera a facção do partido que se opôs a Koirala durante todo o ano.

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