Primeiro-ministro do Nepal renuncia ao cargo

O primeiro-ministro do Nepal, Pushpa Kamal Dahal, renunciou hoje em meio a uma disputa de poder que gerou seu afastamento como chefe do Exército. Dahal disse que deixava o poder "para salvar o processo de paz" que tirou o país de uma guerra civil de uma década. Um ex-líder guerrilheiro maoista, Dahal fez o anúncio hoje na televisão. Um dia antes, ele foi afastado do posto de chefe do Exército pelo presidente Ram Baran Yadav - que oficialmente lidera o Exército -, o que causou a retirada de alguns aliados importantes do primeiro-ministro da coalizão governista.

AE-AP, Agencia Estado

04 de maio de 2009 | 11h37

"A medida inconstitucional e não democrática do presidente levou o país rumo a uma crise política séria. O presidente não tem poder para agir sozinho sem a aprovação prévia do gabinete nesses assuntos", avaliou Dahal. "É um ataque fatal à democracia nascente." Os maoistas nepaleses travaram uma guerra civil de dez anos contra o governo, antes de rumarem para a política em 2006. No ano passado, esse grupo obteve a maioria dos votos nas eleições, ajudando a encerrar a centenária monarquia nesse país do Himalaia.

Porém, apesar da ascensão dos maoistas ao poder, muitos de seus ex-combatentes permanecem restritos a áreas monitoradas pela Organização das Nações Unidas (ONU), como previsto em um tratado de paz. Dahal queria os guerrilheiros livres e integrados às Forças Armadas, como previsto em um acordo mediado pela ONU. Porém o chefe do Exército resistia a esses esforços e criticava o governo. Dahal disse que decidiu renunciar "para criar um ambiente adequado e salvar o processo de paz". Após a renúncia, o principal parceiro maoista da coalizão, o Partido Comunista do Nepal, e outros importantes membros do governo deixaram o poder.

O Partido Comunista do Nepal, de Dahal, tem a maioria dos membros na Assembleia Nacional, mas não uma maioria absoluta, por isso precisa do apoio de siglas menores para governar. Imediatamente após a renúncia do primeiro-ministro, autoridades proibiram protestos em áreas importantes de Katmandu, inclusive perto da residência presidencial. Foram enviados policiais pela cidade para impedir manifestações. As forças de segurança estavam em alerta, prevendo grandes confrontos.

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