Primeiro-ministro do Timor Leste anuncia renúncia

O primeiro-ministro do Timor Leste, Mari Alkatiri, anunciou nesta segunda-feira sua renúncia para tentar pôr fim à crise que vive o país. Em entrevista coletiva em Díli, Alkatiri disse que estava disposto a deixar seu cargo para evitar a renúncia do presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, um ato que resultou em grande comemoração popular e aumentou as esperanças de que se encerre um período de meses de paralisia política e violência nesta pequena nação asiática.Alkatiri ofereceu-se para ajudar a formar um governo interino para conduzir o país a eleições em 2007. Seu partido, a Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente (Fretilin), apresentou quatro nomes para sucedê-lo.A renúncia ocorre um dia depois que José Ramos-Horta renunciou ao cargo de ministro de Exteriores e Defesa, da mesma forma que o ministro das Telecomunicações, Ovidio Amaral, como forma de protesto até que o partido governista - o Fretilin, liderado por Alkatiri - escolhesse um novo líder.O primeiro-ministro indicou que sua renúncia tem como objetivo evitar a do presidente Gusmão, que na semana passada ameaçou deixar seu cargo caso o primeiro-ministro permanecesse no cargo. Alkatiri recebeu no domingo o apoio de seu partido, que decidiu, através de um consenso interno, manter o primeiro-ministro no cargo apesar das pressões de políticos, cidadãos e da igreja a favor de sua renúncia.Gusmão, respeitado pelos timorenses por sua luta pela independência do país, aceitou imediatamente a renúncia e anunciou que as negociações para a formação de um novo governo começarão amanhã.À medida que se espalhava a notícia da renúncia, milhares de moradores de Díli começaram a sair às ruas em comemoração. Jovens batucavam em caixas e latas enquanto outros dançavam no meio da rua.Ramos-Horta, um dos mais respeitados políticos do país e visto como forte candidato a primeiro-ministro interino, elogiou os manifestantes pela perseverança."Todos vocês estão de parabéns por conquistarem uma vitória como resultado da perseverança. Amanhã ou nos próximos dias teremos um novo governo", declarou Ramos-Horta, vencedor do Prêmio Nobel da Paz de 1996.Ainda nesta segunda-feira, especialistas da Organização das Nações Unidas (ONU) desembarcaram em Díli para analisar a situação e estudar formas de ajudar o Timor Leste.Analistas políticos observam a renúncia de Alkatiri como um ponto de convergência para a crise, mas salientam que a solução dependerá do nome escolhido para sucedê-lo e da capacidade da Fretilin para superar as divisões internas provocadas por semanas de turbulência.O governo australiano recebeu bem a notícia da renúncia de Alkatiri. O primeiro-ministro da Austrália, John Howard, disse que agora pode "prever o fim da crise política" no Timor.CriseAlkatiri está sendo responsabilizado pela atual crise. Em março, ele exonerou 600 soldados em greve, em manifestação para exigir o fim da discriminação étnica. A demissão provocou uma rebelião dos soldados renegados, conduzindo a episódios de violência que provocaram a morte de pelo menos 30 pessoas e levou 150.000 a fugirem de Díli, a capital timorense, e ainda permanecem, em grande parte, em campos de refugiados e em locais considerados seguros como igrejas e seminários católicos. Além disso, Alkatiri é acusado de armar um grupo de extermínio para eliminar oponentes políticos. Cerca de 30 pessoas morreram em enfrentamentos que explodiram nas ruas de Díli após a expulsão dos militares, enquanto gangues de civis armados iniciaram confrontos que inicialmente foram atribuídos às disputas entre as etnias "lorosae" (oriundos do leste do país) e "loromono" (ocidentais).A crise timorense determinou a intervenção de forças da Austrália, Malásia, Portugal e Nova Zelândia com a missão de frear a escalada de violência.Este texto foi ampliado às 15h15.

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