Primeiro-ministro do Timor pode aceitar pedido para que renuncie

Após um pedido formal da presidência do Timor Leste para que apresente sua renúncia, o primeiro-ministro do país asiático, Mari Alkatiri, perdeu nesta quarta-feira o apoio de seu partido, a Frente Revolucionária para um Timor Leste Independente (Fretilin). Segundo um porta-voz do governo, Alkatiri provavelmente optará pela renúncia.O premier é acusado de ter formado um esquadrão da morte para eliminar seus adversários políticos.De acordo com o porta-voz Miguel Sarmento, a renúncia provavelmente será anunciada nesta quinta-feira, depois de uma reunião do primeiro-ministro com seu gabinete de governo.Na terça-feira, promotores pediram a detenção do ex-ministro de Interior Rogelio Lobato, suspeito de fornecer armas a um esquadrão da morte supostamente criado para assassinar oponentes políticos de Alkatiri. O primeiro-ministro nega a acusação.Também nesta quarta-feira, o presidente do Timor Leste, Xanana Gusmão, não deixou alternativa a Alkatiri. "Renuncie ou seja demitido", escreveu o presidente em uma carta enviada ao primeiro-ministro e citada pela agência de notícias portuguesa Lusa.ViolênciaMais de 30 pessoas já morreram no Timor Leste desde março, quando Alkatiri anunciou a demissão de aproximadamente 600 soldados em greve. Muitos timorenses atribuem a Alkatiri a responsabilidade pela onda de violência.Revoltados com a exoneração, os soldados renegados desencadearam uma onda de incêndios, saques e confrontos nas ruas de Díli, a capital do Timor Leste.A violência persistia nesta quarta-feira. Pelo menos seis imóveis foram incendiados em Díli, mas não há informações sobre novas vítimas.A renúncia de Alkatiri, exigida pelos soldados renegados e por grande parte dos timorenses, é vista por analistas como um passo no sentido da solução da crise.Trata-se da pior onda de violência a afligir o Timor Leste desde 1999, quando milícias leais ao governo indonésio promoveram uma violenta campanha de morte e destruição depois que os timorenses votaram pela independência em um referendo patrocinado pela Organização das Nações Unidas (ONU).

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