Juan Medina / Reuters
Juan Medina / Reuters

Primeiro-ministro espanhol convoca eleições antecipadas para 28 de abril

Pedro Sánchez fez anúncio depois que o Parlamento rejeitou a proposta de orçamento de 2019 do governo minoritário

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de fevereiro de 2019 | 07h42
Atualizado 15 de fevereiro de 2019 | 09h42

MADRI - O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, convocou nesta sexta-feira, 15, uma eleição nacional antecipada para o dia 28 de abril, depois de ser derrotado em uma votação crucial sobre o orçamento no Parlamento do país.

“Entre fazer nada e continuar sem o orçamento e convocar os espanhóis a darem sua palavra, eu escolho o segundo. A Espanha precisa continuar a avançar, progredir com tolerância, respeito, moderação e bom senso”, disse Sánchez em pronunciamento televisionado à nação após uma breve reunião de gabinete.

“Propus dissolver o Parlamento e convocar eleições para 28 de abril”, acrescentou o político socialista.

A votação, que será a terceira em três anos e meio, acontecerá quatro semanas antes das eleições municipais, regionais e europeias no país, previstas para 26 de maio.

A atual legislatura do país acabaria apenas em junho de 2020. Sánchez, no entanto, se viu forçado a adiantar a votação em razão do enfraquecimento de sua heterogênea base de apoio, que o levou ao poder há oito meses em uma bem sucedida moção de censura contra seu antecessor conservador, Mariano Rajoy.

Em um ambiente tenso pelo julgamento de 12 líderes catalães separatistas em Madri, os partidos independentistas da Catalunha, junto com a oposição de direita, rejeitaram na quarta-feira o orçamento proposto pelo executivo - e considerado o com o maior apelo social da última década.

De qualquer forma, a organização socialista já está em modo de campanha. Em sua fala nesta sexta-feira, Sánchez defendeu longamente seu balanço e garantiu que, apesar de não ter um orçamento aprovado, algumas medidas fundamentais estão garantidas, como o aumento do salário mínimo em 22% e o aumento do salário dos funcionários públicos neste ano.

Ao mesmo tempo, ele acusou a oposição de direita de bloquear no Parlamento a descriminalização da eutanásia ou as leis contra a diferença salarial entre homens e mulheres e contra a pobreza energética. "Tudo isso foi paralisado (...) pela obstrução parlamentar do Partido Popular (de Rajoy) e dos Ciudadanos", afirmou.

Ele também se dirigiu aos separatistas catalães, lembrando-os de seu compromisso com a unidade da Espanha. "Dentro da Constituição e legalidade estamos dispostos a conversar, dialogar (...) fora da Constituição, nada", afirmou.

Legislatura atípica

"Obviamente representa o fim de uma legislatura atípica, conturbada", afirmou a cientista política Paloma Román, da Universidade Complutense de Madri.

Desde 2015, a política espanhola enfrenta um período atribulado: o fim do bipartidarismo, tentativa de secessão na Catalunha seguida por uma suspensão temporária de sua autonomia, a queda de Rajoy em uma inédita aprovação de moção de censura.

Tudo isto aliado a um Parlamento fragmentado, onde o trabalho legislativo foi muito dificultado pela divergência de interesses dos partidos.

As pesquisas apontam o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), de Sánchez, como vencedor da futura eleição, mas com um número de cadeiras que, mesmo somado ao partido de esquerda radical Podemos, não seria suficiente para governar.

As sondagens projetam uma maioria conservadora, com a união do Partido Popular com os liberais do Ciudadanos e a extrema-direita do partido Vox.

O trio elevou o tom nacionalista e no domingo passado, durante um protesto em Madri, Sánchez foi chamado de "traidor" por dialogar com o separatismo catalão.

"Esta coalizão seria muito mais dura com os catalães. É de esperar que neste cenário aumentem as tensões entre o governo central e a Catalunha", afirmou Steven Trypsteen, analista do banco ING.

Antonio Barroso, analista da consultoria londrina TENEO, destacou que o PSOE chegará às eleições com a questão catalã como um ponto contrário ao partido, já que a vontade de diálogo de Sánchez provocou receito entre alguns integrantes da formação. Mas ele também acredita que Sánchez tem condições de recuperar votos à esquerda. / AFP

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