Primeiro-ministro indiano se diz otimista sobre a Caxemira

Apesar do boicote dos rebeldes separatistas da Caxemira, o primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, manifestou-se otimista nesta quinta-feira com relação às perspectivas de paz no território, admitiu que houve violações dos direitos humanos por parte das forças indianas e anunciou medidas com o objetivo de colocar fim a 16 anos de violência na região Himalaia.Singh assegurou que o governo de seu país está comprometido com a convivência harmoniosa com o vizinho e rival Paquistão e com uma paz duradoura na Caxemira. Ele disse ainda que o número de soldados na região - estimado em 500 mil- poderia cair drasticamente se a violência também diminuísse. O primeiro-ministro indiano também prometeu negociar com os rebeldes separatistas se os ataques cessarem."Essa conferência certamente dá esperança e confiança. Vejo luz no fim do túnel, um facho de esperança", disse ele durante entrevista coletiva concedida depois de dois dias de negociações com grupos caxemires pró-Índia em Srinagar, a capital de verão da porção indiana da Caxemira.Apesar do otimismo de Singh, cerca de uma hora depois do término da reunião, a explosão de um ônibus turístico em Srinagar provocou a morte de quatro pessoas, sendo elas uma criança, duas mulheres e um homem.Acredita-se que militantes tenham plantado explosivos no ônibus, disse Munir Khan, superintendente da polícia local. Sete pessoas ficaram feridas. Até o momento, porém, nenhum grupo assumiu a autoria do atentado.Os grupos separatistas, que lutam pela independência da Caxemira ou sua anexação ao Paquistão, boicotaram as negociações por causa da presença dos grupos caxemires favoráveis à Índia. Entretanto, os rebeldes manifestaram disposição de manter o diálogo com Singh sem a presença desses grupos.O primeiro-ministro também abordou um tabu para a maior parte das autoridades indianas: as violações dos direitos humanos cometidas pelas forças do país na Caxemira."Nosso Exército não é uma força de ocupação. Ele está na Caxemira para proteger seus cidadãos. Nossas forças armadas têm uma conduta exemplar. Não posso negar que às vezes aconteçam aberrações, mas não se pode permitir que tais aberrações transformem-se em regra", declarou.De acordo com ele, o governo deixou as forças armadas cientes de que "deve haver tolerância zero com violações dos direitos humanos".

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