Primeiro-ministro iraquiano dá ultimato à milícia xiita

Às vésperas do anúncio de uma nova estratégia americana para o Iraque, o primeiro-ministro iraquiano, Nouri al-Maliki, exortou nesta quarta-feira a milícia xiita Exército Mahdi a abandonar suas armas. A ameaça, que representou uma importante mudança de postura do premier em relação ao grupo, é um reflexo das pressões de Washington, cuja nova política de guerra incluirá a recomendação de um papel mais ativo para as forças iraquianas na estabilização do país.Segundo fontes iraquianas, Maliki disse que os milicianos têm duas opções: ou se entregam ou enfrentam uma investida do Exército Iraquiano apoiado por forças americanas. "O primeiro-ministro disse a todos que não haverá escapatória. O governo alertou os Sadaristas (o movimento político que apóia o Exército Mahdi) que ´se queremos construir um Estado, não temos outra opção se não atacar os grupos armados´", disse um deputado xiita próximo a Maliki. Em discurso previsto para às 24 horas desta quarta-feira (horário de Brasília), o presidente americano, George W. Bush, deverá anunciar um incremente de 21,5 mil homens nas tropas dos EUA no país árabe. Segundo declarações de assessores da Casa Branca, o envio dos soldados está condicionado a um maior comprometimento do governo iraquiano na resolução dos conflitos sectários que castigam o país. Em outras ocasiões, Maliki, que é xiita, havia bloqueado várias tentativas dos Estados Unidos em atacar o grupo, que é o braço militar do clérigo xiita antiamericano Muqtada al-Sadr. O religioso é hoje um dos líderes mais poderosos do país árabe.

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