Primeiro-ministro iraquiano declara estado de emergência em Basra

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al-Maliki, declarou nesta quarta-feira estado de emergência em Basra, no sul do país, por causa da persistente violência que aflige a região. A determinação terá validade de um mês, e foi anunciada durante uma visita de Al-Maliki à cidade, situada a 550 quilômetros ao sul de Bagdá A tensão não pára de aumentar na região dominada por árabes xiitas, onde a Grã-Bretanha mantém cerca de 8.000 soldados e milícias xiitas têm atacado sunitas e brigado entre si. "Lamentamos a triste situação em Basra, mas a solução está nas mãos do povo e o poder central deve ajudar (a consegui-la)", disse Al-Maliki ao iniciar sua visita à cidade, a segunda mais povoada do país. Al-Maliki explicou que todos os órgãos de segurança entrarão em estado de alerta para "enfrentar a deteriorada situação de segurança na cidade". "Durante este mês, serão impostas várias medidas, entre elas algumas para conter a entrada de infiltrados (combatentes) e alguns departamentos de segurança serão dissolvidos e outros reformados", acrescentou. Al-Maliki disse que o "governo iraquiano não hesitará em usar toda a força contra os grupos que fazem tráfico ilegal de petróleo ou de outro tipo de mercadoria em Basra". O porto pelo qual o Iraque exporta a maior parte de seu petróleo está localizado na cidade. O primeiro-ministro iraquiano referia-se à deterioração da violência nesta cidade povoada quase que exclusivamente por xiitas, e onde a segurança depende das forças britânicas e da Polícia iraquiana. Al-Maliki adotou essa decisão poucas horas após chegar a Basra, onde criticou a "ingerência" de partidos políticos xiitas no trabalho das forças de segurança da cidade, habitada por pouco mais de um milhão de pessoas. O chefe do Executivo expressou esta postura após reunir-se com líderes políticos e tribais de Basra para pedir apoio à tentativa de reduzir a violência. "Minha visita tem como objetivo tentar encontrar uma solução para o problema da insegurança nesta cidade, onde morreram dezenas de pessoas", explicou Al-Maliki. O primeiro-ministro iraquiano lamentou o crescimento no número de assassinatos e o seqüestro de sunitas e xiitas em Basra, e reiterou que a prioridade de seu governo é colocar fim à insegurança, já que "afeta a situação econômica e social e cria obstáculos ao desenvolvimento do país". Interferência Al-Maliki reconheceu que "alguns dos principais partidos políticos interferem no trabalho das forças de segurança", o que "afeta negativamente a atuação dessas forças". Embora não tenha mencionado nomes, fontes iraquianas em Basra afirmam que Al-Maliki referia-se, principalmente, ao partido xiita Al-Fadila, já que alguns de seus membros ameaçaram recentemente parar as exportações de petróleo iraquiano através do porto de Basra. A tensão na cidade aumentou no início do mês, após a retirada do Al-Fadila das negociações para a formação do Governo iraquiano. O partido divergia dos outros grupos políticos sobre a distribuição dos cargos ministeriais. O Al-Fadila é uma das sete formações políticas que integram a Aliança Unida Iraquiana (AUI, xiita) que, com suas 128 cadeiras, é a principal força política no Legislativo, seguida pela Coalizão Curda (54 cadeiras) e a sunita Frente do Consenso Iraquiano (44 cadeiras). Este texto foi atualizado às 13h30

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