Primeiro-ministro libanês denuncia "quebra de cessar fogo"

O primeiro-ministro libanês, Fouad Siniora, qualificou de "flagrante violação" do cessar-fogo iniciado na última segunda-feira a operação armada realizada por Israel no vale do Bekaa, no leste do país."A operação levada a cabo ao amanhecer de hoje pelas tropas israelenses na região do Bekaa constitui uma flagrante violação do acordo de fim das hostilidades decidido pelo Conselho de Segurança da ONU", disse Siniora em comunicado.O primeiro-ministro informou a Terje Roed Larsen e Vijay Nambiar, representantes da ONU que se encontram em Beirute, que "tratará deste assunto com o secretário-geral das Nações Unidas", Kofi Annan.A nota acrescenta que Siniora protestou junto a Annan contra as "violações israelenses do espaço aéreo libanês", em referência aos vôos realizados por aviões de combate israelenses sobre o território do país vizinho.Segundo a imprensa local, os enviados especiais da ONU asseguraram ao Líbano que intercederão junto a Israel pelo fim das violações do acordo.O ministro de Assuntos Exteriores, Fawzi Salloukh, que se reuniu com os emissários da ONU, assegurou que a organização internacional será a responsável se Israel continuar violando a resolução da ONU.O Exército israelense lançou na madrugada passada uma operação armada na área do Vale do Bekaa, no leste do Líbano, onde enfrentou milicianos do Hezbollah.Segundo fontes israelenses, o ataque pretendia evitar a entrada de armamentos com destino às milícias xiitas, embora fontes do Hezbollah tenham assegurado que a operação tinha como alvo um líder regional da organização. É a quebra mais grave, até agora, do cessar-fogo.Salloukh pediu à delegação da ONU chefiada por Larsen que pergunte a Israel como pretende aplicar a resolução 1.701 do Conselho de Segurança, que pôs fim a 34 dias de confrontos entre o Exército israelense e os milicianos xiitas do Hezbollah.Larsen respondeu que vai falar com as autoridades israelenses, exigindo o fim das operações armadas em território libanês. Ele também prometeu pedir a suspensão do bloqueio sobre o país vizinho, como determina a resolução da ONU.O enviado explicou que está preparando a chegada do secretário-geral da ONU, Kofi Annan. Ele considerou "positivo" o desenvolvimento da situação até o momento, o que dá "grandes esperanças" à delegação."Há grandes possibilidades de que o povo e o Governo libanês apliquem a democracia e para que o gabinete estenda sua autoridade a todo o território libanês, conforme o acordo de Taif e o plano de sete pontos apresentado pelo primeiro-ministro Fouad Siniora na conferência de Roma", acrescentou Larsen.Matéria atualizada às 11h59

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