Primeiro-ministro palestino renuncia em prol de novo governo

O primeiro-ministro palestino, Ismail Haniye, do Hamas, apresentou a renúncia de seu gabinete nesta quinta-feira, 15, durante um encontro com o presidente da Autoridade Palestina (AP), Mahmoud Abbas, da facção rival Fatah. A medida dará início ao processo de formação de um novo governo de união nacional palestino, e põe fim a meses de negociações para um acordo de divisão do poder nos territórios palestinos.Embora criado com o objetivo de por fim a um embargo imposto ao gabinete do Hamas, o novo governo não tem a garantia de que será reconhecido pela comunidade internacional. Nesta quinta-feira, assessores de Abbas adiantaram que os Estados Unidos devem manter o boicote ao Executivo palestino. Vencedor das eleições parlamentares palestinas de 2006, o Hamas é considerado um grupo terrorista por Estados Unidos, União Européia e Israel. Desde que o grupo assumiu o poder, o governo palestino não tem recebido os repasses de verbas fornecidos por esses países."Hoje ativamos o procedimento de formação do governo da união nacional. O irmão Ismail Haniye me apresentou sua demissão e eu o encarrego de formar um novo gabinete", declarou o presidente palestino em entrevista coletiva.Fontes palestinas disseram que Haniye usou a reunião para entregar a Abbas sua carta de renúncia, condição legal para que o político do Fatah possa encomendar ao do Hamas a formação de um novo Executivo."Como chefe do governo atual, apresento minha demissão para que se cumpram as gestões constitucionais para a formação de um governo de união", disse Haniye.Em seguida, Abbas entregou-lhe outra carta, na qual pediu ao líder do Hamas a formação de um novo governo, segundo o acordo firmado em Meca na semana passada com a mediação da Arábia Saudita. Haniye terá cinco semanas para executar a tarefa.DificuldadesNo texto, Abbas pede que o novo governo "respeite" os acordo internacionais, o que implicaria na aceitação de Israel. A palavra, entretanto, passa ao largo das demandas internacionais para que o Hamas reconheça explicitamente a existência de Israel. Em Washington, o porta-voz do departamento de Estado, Sean McCormack, disse que não confirmaria a informação de que os Estados Unidos manterão o boicote. Segundo ele, os EUA não irão julgar o novo governo palestino até que este esteja formado. As demandas internacionais colocaram Abbas em um situação difícil. Por meses, ele vem tentando formar uma coalizão entre o Hamas e o Fatah, na esperança que a coalizão possa persuadir o Ocidente a por um fim em seu boicote ao governo liderado pelo Hamas. Mas, durante as conversações com líderes do Hamas em Meca na semana passada, o presidente palestino não conseguiu um compromisso claro de que o grupo islâmico irá reconhecer Israel. Ao invés disso, Abbas teve que aceitar uma vaga promessa de que o Hamas irá "respeitar" os acordos de paz anteriores com o Estado judeu, o que implicaria em um reconhecimento.Em resposta ao acordo, os Estados Unidos e Israel disseram apenas esperar que o governo palestino se comprometa com as demandas internacionais. PessimismoNa noite de quarta-feira, entretanto, Abbas teria recebido uma ligação do secretário assistente de Estado americano David Welch, que afirmou que a nova plataforma de governo não era satisfatória. Segundo os assessores do presidente palestino que vazaram a informação, Welch disse ainda que os EUA não irão negociar com nenhum membro do governo, inclusive com membros do Fatah e políticos independentes.Apesar do clima de pessimismo, o Hamas e o Fatah decidiram na reunião desta quinta-feira começar imediatamente a formação do governo e a escolha dos novos ministros, um processo que, segundo fontes do Fatah, deve durar semanas.A reunião entre ambos os líderes foi precedida por outra, de seus respectivos delegados, para fechar os últimos detalhes do acordo de coalizão.Texto atualizado às 18h30

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