Primeiro-ministro tailandês se reúne com manifestantes

Com objetivo de evitar um agravamento de tensões políticas, o primeiro-ministro da Tailândia, Abhisit Vejjajiva, conversou diretamente com os líderes de protestos contra o governo, que vêm ocorrendo há duas semanas no país. Ele concordou em atender à exigência dos manifestantes de que o encontro fosse transmitido ao vivo na televisão nacional.

AE-AP, Agência Estado

28 de março de 2010 | 09h09

Depois dos protestos e discussões acaloradas, que levaram Abhisit a buscar refúgio em uma base do exército, os dois lados se encontraram para dialogar. Mas reafirmaram suas diferenças de postura. Veera Muksikapong, líder das manifestações, afirmou que "nossa exigência é simples e direta: dissolver o parlamento para que as pessoas decidam novamente". Ele estava acompanhado de dois outros líderes, todos vestidos com sua característica camisa vermelha.

Abhisit parecia tenso e, acompanhado de dois conselheiros, todos vestidos com camisas azuis, reiterou sua posição de que dissolver o parlamento imediatamente não resolveria a profunda crise política da Tailândia. "Tenho que tomar uma decisão baseada em um consenso do país inteiro, inclusive os ''camisas vermelhas''", declarou. "Temos de pensar: a dissolução vai realmente resolver o problema?"

O primeiro-ministro já rejeitou diversas vezes o pedido dos manifestantes para dissolução do Parlamento e convocação de novas eleições. Milhares de manifestantes se reuniram no centro histórico da capital Bangcoc, à espera de direcionamentos de seus líderes acerca de como reagir se o diálogo fracassar. Durante as semanas de protestos, o número de participantes superou 100 mil.

O movimento é integrado, em grande parte, por apoiadores do ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra - deposto em 2006 por um golpe militar, sob acusações de corrupção - e por ativistas que defendem a democracia e se opuseram ao golpe. Os chamados "camisas vermelhas" acreditam que Abhisit chegou ao poder de forma ilegítima, com a conivência dos militares e outros segmentos da classe dominante, de modo que somente novas eleições poderiam restaurar a integridade da democracia tailandesa. Nos últimos dias, os protestos e confrontos se agravaram e elevaram o temor a respeito da violência.

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