Primeiro-ministro turco vai se reunir com manifestantes

Policiais e manifestantes recuaram nesta quarta-feira, após os confrontos ocorridos durante a noite na praça Taksim, em Istambul, uma pausa incerta antes de as autoridades iniciarem conversações com o objetivo de encerrar os maiores protestos contra o governo nas últimas décadas.

Agência Estado

12 de junho de 2013 | 09h37

As quase duas semanas de protestos representam o maior teste para os dez anos de governo do primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan. O presidente Abdullah Gul, que é visto por muitos como uma voz mais moderada, disse que o governo não pode tolerar mais manifestações, que prejudicam o dia a dia do país, embora as autoridades tenham declarado que ouvirão as reclamações dos manifestantes.

"Eu espero que superemos isso por meio da maturidade democrática", disse Gul aos repórteres. "Se eles têm objeções, precisamos ouvi-los, iniciar um diálogo. É nossa obrigação escutá-los."

Em declarações feitas na província de Kayseri, Gul reiterou que o governo não vai tolerar manifestações violentas e pediu que comentaristas internacionais evitem comparar a Turquia com a Primavera Árabe.

"Se a violência continuar a prejudicar todos os outros cidadãos, de Kizilay à praça Taksim, não aceitaremos isso", disse Gul, referindo-se às principais praças de Ancara e Istambul. Ele também rejeitou a proposta do Partido do Povo Republicano, de oposição, para a realização de uma cúpula entre partidos para discutir os protestos, dizendo que está preparado apenas para encontrar cada líder isoladamente.

Não estava claro quem participará da reunião, marcada para as 16h (horário local, 10h em Brasília), no escritório de Erdogan, em Ancara, e até mesmo se o encontro terá algum impacto na mediação do fim dos protestos.

Ativistas têm dúvidas sobre a legitimidade da reunião, já que apenas um ator e um cantor, com ligações obscuras com os protestos, concordaram em participar. Líderes de grupos da sociedade civil, dentre eles do Greenpeace, já haviam anunciado anteriormente que não participariam do encontro por causa do "clima de violência". Fonte: Associated Press e Dow Jones Newswires.

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