Primeiro-ministro turco visitará Egito, Líbia e Tunísia

O gabinete do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, informou nesta quarta-feira que o chefe de governo fará um giro por Egito, Tunísia e Líbia a partir de segunda-feira. A viagem é uma tentativa de aumentar o influência da Turquia na região convulsionada por revoltas populares.

Agência Estado

07 Setembro 2011 | 18h56

No Cairo, Erdogan deve firmar pactos militares e comerciais com o governo egípcio. O anúncio da visita ocorre apenas uma semana depois de a Turquia ter rompido acordos de defesa com Israel.

Será a primeira visita de um líder turco ao Egito em 15 anos. O ditador Hosni Mubarak, derrubado em fevereiro, via a Turquia com desconfiança e sempre rejeitos os gestos de aproximação de Ancara. O novo governo egípcio, no entanto, parece ansioso para ampliar sua relação econômica e estratégica com os turcos.

Assessores de Erdogan garantem que a viagem não tem nenhuma relação com a crise com Israel. Na semana passada, a Turquia expulsou o embaixador de Israel, suspendeu acordos militares entre os dois países e rebaixou a relação bilateral ao nível hierárquico mais baixo na escala diplomática.

A Turquia, que era um dos principais aliados de Israel no Oriente Médio, exige um pedido de desculpas pela morte de nove ativistas turcos assassinados por soldados israelenses, em águas internacionais, quando tentavam levar ajuda humanitária para a isolada Faixa de Gaza, em maio de 2010 - o território é controlado pelo Hamas, grupo islâmico palestino que Tel-Aviv considera terrorista.

Um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a flotilha, divulgado na semana passada, diz que o bloqueio de Israel ao território palestino é legal, mas a reação dos militares israelenses, mesmo tendo sido recebidos com hostilidade e violência pela tripulação, foi excessiva.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, disse que os soldados agiram em "legítima defesa" e o país não deve desculpas à Turquia - de acordo com a investigação da ONU, no entanto, cinco dos nove mortos foram atingidos pelas costas. Os israelenses também teriam disparado contra órgãos vitais de sete vítimas múltiplas vezes.

"Israel defende seus interesses e seu governo não pedirá desculpas", reafirmou hoje o ministro israelense dos Transportes, Israel Katz. "Continuaremos o bloqueio marítimo a Gaza para impedir a transferência de armas aos terroristas do Hamas."

O vice-primeiro-ministro israelense, Moshe Yaalon, acusou hoje Erdogan de transformar a Turquia em uma "república islâmica". "Desde que assumiu o poder, ele (Erdogan) decidiu se voltar para o Oriente, em vez do Ocidente. A Turquia deixou de ser uma república secular e virou uma república islâmica."

Apesar de Ancara insistir que a viagem oficial de Erdogan não tem relação com Israel, tem sido difícil evitar a especulação. Há rumores - não confirmados - de que o primeiro-ministro pretenderia visitar Gaza e estaria apenas esperando uma autorização do governo egípcio para entrar no território palestino pelo posto fronteiriço de Rafah. As informações são da Associated Press.

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