Primeiro sinal da tragédia no WTC partiu do vôo 11

Minutos antes de o avião da American Airlines que fazia o vôo 11 chocar-se com o World Trade Center, uma voz vinda da cabine do aparelho disse: "Ninguém se mexa, por favor; estamos voltando para o aeroporto. Não tentem fazer nenhum movimento estúpido." A voz, não identificada e, ao que parece, pertencente a um dos seqüestradores, foi captada em transcrições de comunicações entre aviões e controladores de vôo, publicadas nesta terça-feira pelo The New York Times. As transcrições proporcionam novos detalhes sobre o modo como controladores e outros funcionários constataram que seqüestros múltiplos estavam em andamento, na manhã de 11 de setembro. Na transcrição do vôo 11, um controlador de tráfego aéreo pediu repetidamente uma reposta do avião, que silenciara. Então ele ouviu a voz vinda da cabine, pedindo que as pessoas não se mexessem e dizendo: "Temos alguns aviões. Fiquem quietos, e tudo estará bem com vocês. Estamos voltando para o aeroporto." O homem estava transmitindo na freqüência monitorada por pilotos e controladores de tráfego aéreo, ao que parece por pensar que falava aos passageiros, ou porque um dos tripulantes havia ligado o microfone do rádio. Até a tripulação do avião da United Airlines que fazia o vôo 175, e foi o segundo aparelho a se chocar contra o World Trade Center, havia escutado algo errado no vôo 11. O avião da United havia decolado às 8h14 de Boston (Estado de Massachusetts) com destino a Los Angeles (Califórnia), 14 minutos depois que o vôo 11 partira do mesmo aeroporto. Depois que o vôo 11 silenciou e um controlador de tráfego aéreo pediu que outros pilotos ajudassem a encontrá-lo, o piloto do vôo 175 respondeu às 8h41. "Ouvimos uma transmissão suspeita ao partirmos", informou o piloto. "Parece que alguém ligou o microfone e disse: ´Todo mundo continue em seus assentos´." Cinco minutos depois, o vôo 175 foi a vítima seguinte: desviou-se de sua rota programada e interrompeu a comunicação com o solo. "Não há transponder (retransmissor), nada, e ninguém está falando com ele", disse um controlador. Às 8h50, um piloto não identificado falou na frequência comum: "Alguém sabe o que é aquela fumaça na Baixa Manhattan?" O avião do vôo 11 havia batido na torre norte do World Trade Center. O que fazia o vôo 175 bateu na outra torre minutos depois. Enquanto isso, o avião do vôo 77 da American, que devia fazer a rota Washington-Los Angeles e acabou chocando-se contra a sede do Pentágono, perdia contato com a terra às 8h56. "Chamamos companhia. Não conseguem fazer contato com ele", disse um controlador. O avião do vôo 93 da United Airlines, o quarto sequestrado, ao que parece recebeu uma advertência sobre os seqüestros anteriores durante sua rota fatídica, informou o Times. Ele havia decolado de Newark (Estado de Nova Jersey) às 8h42, e se destinava a São Francisco (Califórnia). Depois da confirmação de que o avião do vôo 175 da United fora seqüestrado, um despachante no centro de operações da United perto do Aeroporto Internacional O´Hare, de Chicago, enviou a mensagem a todos os aviões que monitorava, incluindo o vôo 93. Era uma mensagem de texto que chegava pelo rádio - letras verdes em fundo negro que diziam: "Cuidado, invasão de cabine." Ao que parece, um dos pilotos ligou a unidade de e-mail que continha a advertência procedente de Chicago, tocou num botão que transformou a tela em teclado e digitou a resposta de uma palavra só: "Confirmado." O primeiro sintoma de que o vôo 93 também fora seqüestrado chegou às 9h28, quando se ouviu barulho de fundo na cabine, informou o Times. O avião caiu num campo no oeste da Pensilvânia às 10h10, e se especula que ocupantes do aparelho enfrentaram os seqüestradores e conseguiram fazer o avião descer pouco antes de ele chegar ao seu possível alvo, em Washington.Leia o especial

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