Primeiro vôo de brasileiros a NY chega quase vazio

As paulistanas Mônica Gorga e CarlaAlcântara foram umas das primeiras brasileiras a desembarcaremno aeroporto John F. Kennedy, em Nova York, hoje pela manhã. Ovôo veio quase vazio. Segundo um dos passageiros, nem a metade dos 193assentos disponíveis estavam ocupados. Na saída dos passageiros,pouquíssimas pessoas esperavam com placas de companhias de táxie limusine. Nova York não tem sido um destino tão popular depoisdo ataque terrorista no World Trade Center, no dia 11.Mônica, de 38 anos, estava com chegada inicialmenteprevista para terça-feira, dia do atentado. Ela planejava suavinda a Nova York há meses para fazer um curso de desenho dejóias em Manhattan. Depois do ataque de terça-feira, Mônicadisse que seus pais e amigos tentaram dissuadi-la da idéia deviajar. "Não me sinto insegura de estar em Nova York, mas osmeus amigos estão em pânico," contou. Mônica pretende voltar aoBrasil quando o curso terminar, daqui a dois meses.Carla, uma engenheira de sistemas de 27 anos que morana cidade de Stanford, no estado de Connecticut, comparou aviolência das capitais brasileiras com a dos terroristas."Não sei onde está mais perigoso, São Paulo ou Estados Unidos.Mas acho que ainda prefiro os Estados Unidos," disse.Pelo chão dos principais terminais do aeroporto,centenas de pessoas ilhadas em Nova York - na maioria, turistas- se acomodavam em camas improvisadas cedidas pela American RedCross. Cada pessoa que não tivesse onde dormir por causa devôos adiados recebia um leito portátil, um cobertor e umtravesseiro. Os equatorianos Juan e Gladys Diego, pais de cincofilhos com idades entre 2 e 11, eram uma das famílias quepassaram a noite no Terminal 4 esperando um vôo da companhiaLanChile, com destino a Quito"As crianças estão muito inquietas e não conseguiramdormir bem", contou Gladys, enquanto tomava um café nalanchonete do Terminal. "Vamos ter de providenciar outroacampamento para hoje à noite," brincou.Apesar de ansiosos para voltar para casa e cansados deesperar, as pessoas no Terminal parecem entender a seriedade domotivo dos atrasos. O advogado caribenho Joseph Camacho, de 30anos, natural da illha de Trinidad, já fala como se estivesse emcasa. Ele está dormindo e comendo no Terminal 4 desdequinta-feira, quando o seu vôo pela British West Indies Airwaysestava marcado para sair. Bem-humorado e com a barba por fazer, Camacho contou quenão toma banho há três dias e que seu café, almoço e jantar têmsaído da pequena lanchonete do Terminal. "Não agüento maiscomer croissants. A primeira coisa que vou fazer quando chegarem Trinidad é comer um goat roti" - prato típico da ilha feitode carne de cabra, temperos e pão sírio. O vôo dele estáprevisto para sair na quarta-feira da semana que vem.

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