Adrian Dennis/AFP
Adrian Dennis/AFP

Primeiros dados reais mundiais sobre vacinas mostram queda de contágios e internações no Reino Unido

Estudo que descreve a eficácia das primeiras doses das vacinas Pfizer-BioNTech e AstraZeneca/Oxford reduziram as hospitalizações por covid-19 entre os idosos em até 85% e 94%, respectivamente

William Booth e Karla Adam, The Washington Post

25 de fevereiro de 2021 | 11h00

LONDRES - No primeiro estudo que descreve a eficácia de duas vacinas em âmbito nacional, pesquisadores da Escócia informaram na segunda-feira, 22, que as primeiras doses da Pfizer/BioNTech e AstraZeneca/Oxford reduziram consideravelmente as hospitalizações por covid-19 entre os idosos - em até 85% e 94% respectivamente.

As autoridades de saúde pública britânicas aplaudiram os resultados dos estudos no "mundo real", segundo os quais as vacinas começam a produzir um efeito positivo na pandemia do coronavírus. Arne Akbar, presidente da Sociedade Britânica de Imunologia, definiu os dados iniciais "extremamente promissores".

Os pesquisadores escoceses analisaram uma série de dados que cobrem toda a população escocesa de 5,4 milhões, da qual 1,1 milhão de pessoas - ou cerca de 20% - receberam a primeira dose da vacina da Pfizer ou da Oxford. Em seguida, eles compararam os vacinados aos não vacinados e observaram fortes evidências  de proteção.

De dezembro a meados de fevereiro mais de 8 mil pessoas foram hospitalizadas com covid-19 na Escócia, mas apenas 58 desses pacientes pertenciam ao grupo vacinado.

Combinando os resultados de ambas as vacinas para pessoas de 80 anos para cima, houve uma redução de 81% das hospitalizações na quarta semana, segundo Aziz Sheikh, professor de pesquisa do atendimento básico e desenvolvimento da Universidade de Edimburgo, um dos principais investigadores.

Sheikh alertou que a imunidade oferecida pelas primeiras doses das vacinas pode desaparecer. Mas maiores informações serão conhecidas à medida que os pesquisadores acompanharem os dados depois das segundas doses.

Josie Murray, da Public Health Scotland, outra orientadora do estudo, disse aos jornalistas científicos que “a outra notícia fantástica é que as vacinas já deverão ajudar a reduzir a pressão da covid-19 sobre os hospitais do National Health Service.”

Em sua fase inicial, a campanha de vacinação da GB deu prioridade aos hóspedes das casas de repouso, aos trabalhadores da saúde e a todas as pessoas a partir dos 70 anos, sujeitas a maior risco de doenças graves, hospitalização e morte por covid-19. A GB agora pede a todos os cidadãos a partir de 65 anos que arregacem as mangas.

Os resultados anteriores sobre a eficácia das vacinas foram produzidos quase exclusivamente nos testes clínicos. Os primeiros estudos sobre a população foram divulgados por Israel. Eles mostraram a eficácia de apenas uma vacina, a Pfizer/BionTech, que apresentou 96% de eficácia na prevenção das hospitalizações e mortes. Israel vacinou cerca da metade da sua população adulta.

A pesquisa escocesa foi divulgada na segunda-feira e ainda não foi revista pelos pares. Em uma declaração, a co-desenvolvedora da vacina de Oxford, Sarah Gilbert, disse que a elevada eficácia na proteção das pessoas a partir de 80 anos depois de uma única dose aumenta a “confiança na utilização desta vacina em adultos de todas as idades”.

Em um segundo estudo, também divulgado na segunda-feira, cientistas da Public Health England (PHE) apresentaram dados preliminares mostrando que a vacina da Pfizer-BioNTech parece oferecer elevados níveis de proteção não apenas contra a covid-19 sintomática, como também contra a infecção do coronavírus.

Os pesquisadores examinaram inúmeros trabalhadores da saúde a cada duas semanas - com ou sem sintomas de covid-19 - e verificaram que uma dose já reduziu o risco de infecção em mais de 70%, e em 85% depois da segunda.

“Isto sugere que a vacina também pode ajudar a interromper a transmissão do vírus, porque não podemos transmitir o vírus sem estarmos infectados”, afirmaram em um documento os pesquisadores da PHE.

Juntamente com estes resultados encorajadores, na segunda-feira, o primeiro-ministro Boris Johnson apresentou os próximos passos para o fim do terceiro lockdown nacional, um programa que, ele disse, será “cauteloso, mas também irreversível”.

Será um progresso lento, alertou o primeiro-ministro.

Ele mostrou ao Parlamento planos detalhados, e disse aos legisladores que os planos serão aplicados em quatro estágios, com um mínimo de cinco semanas entre cada estágio. A data mais próxima possível  para a retirada das restrições é 21 de junho, afirmou.

As primeiras grandes mudanças ocorrerão no dia 8 de maio, quando todas as escolas da Inglaterra reabrirão, duas pessoas de diferentes famílias poderão se encontrar fora de casa, e os residentes das casas de repouso na Inglaterra poderão receber um visitante regular. Em abril, poderão abrir os salões de beleza, barbearias, academias e lojas não essenciais. Em maio, bares e restaurantes. Em junho, poderão recomeçar as viagens de férias para o exterior.

Desta vez, o governo britânico está sendo muito mais cauteloso a respeito do fim das restrições, embora a vacinação esteja ocorrendo espantosamente bem no país - mais de um quarto da população recebeu pelo menos uma dose da vacina.

As novas mudanças serão adotadas lentamente. Em cada estágio, o governo afirma que suas decisões serão determinadas pelos dados - os números referentes ao programa de vacinação, às hospitalizações e mortes, às taxas de contágio e aos efeitos provocados por novas variantes.

Os governos semi autônomos da Escócia, Irlanda do Norte e Gales têm  programação própria. / TRADUÇÃO DE ANNA CAPOVILLA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.