Sengo Perez/Efe
Sengo Perez/Efe

Primeiros resultados apontam vitória de Humala nas eleições no Peru

Com quase 80% da apuração concluída, nacionalista mantinha uma vantagem de cerca de 20 mil votos sobre Keiko Fujimori; candidato esquerdista venceria também de acordo com pesquisas de boca de urna e projeções feitas com base em contagem rápida

Fernando Gabeira, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2011 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL A LIMA

O nacionalista Ollanta Humala derrotou ontem a conservadora Keiko Fujimori e é o novo presidente do Peru, de acordo com os primeiros resultados divulgados ontem pelo Escritório Nacional de Processos Eleitorais (Onpe, na sigla em espanhol). Humala também venceu segundo pesquisas de boca de urna e de acordo com quatro projeções feitas a partir de uma contagem rápida dos votos.

Segundo o Onpe, com 78% dos votos apurados, Humala teve 50,1% contra 49,9% de Keiko - cerca de 20 mil votos. Em caso de vitória, o nacionalista aproximaria o Peru do bloco esquerdista sul-americano, que vai da posição moderada do Brasil à área bolivariana da Venezuela.

As pesquisas e projeções apontam uma vitória de Humala por cerca de 2 a 4 pontos porcentuais a frente de Keiko. Cerca de 20 milhões de peruanos estavam aptos a votar e escolher o sucessor do presidente Alan García, em mais de 100 mil locais de votação - o comparecimento total, no entanto, não foi divulgado pelas autoridades eleitorais do país.

A votação foi tranquila e sem violência, exceto por um incidente na região de Cuzco, onde um grupo de narcoterroristas assassinou cinco soldados do Exército peruano.

Segundo o instituto Ipsos, Humala obteve 52,6% dos votos, contra 47,4% de Keiko, o que dá uma margem de 5,2 pontos porcentuais para o esquerdista. A pesquisa CPI mostrou Humala com 52,5% dos votos, contra 47,5% de Keiko, uma vantagem de 5 pontos, enquanto o instituto Datum registrou 52,7% para Humala e 47,3% para Keiko, uma diferença de 5,4 pontos porcentuais - o resultado da boca de urna é semelhante ao do segundo turno de 2006, quando García derrotou Humala.

Após a divulgação das pesquisas, houve muita comemoração no hotel Los Delfinos, em Lima, onde está o comando da campanha de Humala. Os partidários do nacionalista apenas aguardavam os resultados oficiais para comemorar na Praça Dois de Maio, na capital peruana.

Keiko disse que reconheceria a derrota após uma manifestação oficial do órgão eleitoral do país. No entanto, o ex-ministro da Economia Pedro Pablo Kuczynski, que fez campanha para Keiko, admitiu que o resultado "era significativo" e pediu a Humala que indicasse rapidamente as novas autoridades econômicas para evitar uma crise no país.

O Prêmio Nobel de Literatura Mario Vargas Llosa comemorou, em Madri, o que ele classificou como "a derrota do fascismo e a grande vitória da democracia no Peru". "Nós nos livramos de uma ditadura que foi corrupta e sangrenta e queria voltar ao poder. Os peruanos agiram com grande responsabilidade. Precisamos celebrar", disse.

Humala, um militar reformado de 48 anos, é criticado por sua ligação com o presidente venezuelano Hugo Chávez e temido pelos mercados por causa dos boatos de que, caso eleito, mude o modelo econômico e adote a cartilha bolivariana.

Chávez apoiou Humala nas eleições de 2006, o que teria sido um decisivo em sua derrota para Alan García. Por causa disso, desta vez, ele se reapresentou como moderado, se distanciou do bolivarianismo e se disse mais próximo do modelo brasileiro. Humala chegou a afirmar que muitas das medidas aplicadas na Venezuela, como a intervenções no câmbio ou no Banco Central, não são aplicáveis no Peru.

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