Primeiros resultados indicam vitória de Olmert em Israel

Com 60% dos votos contados, o partido de centro Kadima, do primeiro-ministro interino Ehud Olmert, aparece em primeiro lugar nas eleições parlamentares israelenses, marcadas pela apatia e o maior percentual de abstenção desde a criação do Estado de Israel, em 1948. O comparecimento ficou em 63,2%, menos que os 67,8% das eleições anteriores, em 2003. O Kadima está com 28 das 120 da Knesset (o Parlamento israelense). Se o número de assentos garante ao partido a chance de formar o próximo governo, fica aquém dos 35 estimados pelas pesquisas. Em segundo lugar aparece o Partido Trabalhista, de Amir Peretz, conquistando 20. A grande surpresa ficou com a queda do tradicional partido conservador Likud, que não passa de 12 cadeiras. De acordo com uma pesquisa do Canal 1, o Likud perde até mesmo o terceiro lugar para o partido ultranacionalista Israel Beiteinu (Israel é nosso Lar), do imigrante russo Avigdor Lieberman. Uma humilhação para uma legenda que liderava o país nos últimos 30 anos e conquistou 38 cadeiras nas eleições de 2003, sob liderança de Ariel Sharon. O líder do Likud, Benjamin Netanyahu, reconheceu a derrota. Os resultados oficiais finais só serão divulgados nos próximos dias. Mas os números indicam uma maioria de cadeiras para partidos de centro ou de esquerda, o que possibilita a Olmert levar adiante seu plano de retirada unilateral da Cisjordânia. Assim que for apontado oficialmente pelo presidente Moshe Katsav, ele terá um mês para formar uma coalizão que reúna no mínimo 61 cadeiras. Olmert expressou seu desejo de chegar a um acordo com os palestinos, após a vitória de seu partido nas eleições israelenses. O líder israelense declarou que "não há alternativa melhor que um acordo que se fundamenta em uma negociação baseada no reconhecimento mútuo, no Mapa de Caminho e, certamente, no fim do terrorismo e no desarmamento dos grupos terroristas". No entanto, Olmert afirmou que se não for alcançado um acordo, Israel tomará a iniciativa de fixar unilateralmente as suas fronteiras. Ele se dirigiu ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ao dizer que Israel está disposto a renunciar a parte da "Terra amada" com a qual sonhou durante milênios e que espera "escutar uma declaração similar dos palestinos". "Esperamos uma declaração similar dos palestinos e que cumpram seu próprio sonho renunciando ao ódio e desenvolvendo sua própria democracia e um futuro de tranqüilidade", declarou o governante. "Estamos preparados para trabalhar face a face para alcançar este objetivo", disse.

Agencia Estado,

28 Março 2006 | 21h22

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