REUTERS/Christian Hartmann/File Picture
REUTERS/Christian Hartmann/File Picture

Princesa da Tailândia disputará cargo de premiê em 1ª eleição após golpe de Estado

Depois de mais de quatro sob junta militar, disputa nas urnas está marcada para março; partido da princesa é o principal adversário dos militares

Redação, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2019 | 09h26

BANGCOC - A princesa Ubolratana, irmã mais velha do rei da Tailândia, foi anunciada nesta sexta-feira, 8, como a candidata a primeira-ministra por um partido próximo ao clã Shinawatra, principal adversário da junta militar que governa o país. As eleições acontecem em 24 de março, as primeiras desde o golpe de Estado de 2014.

Uma delegação do partido Thai Raksa Chart mostrou a fotografia de Ubolratana Rajakanya, de 67 anos, na documentação apresentada na sede da comissão eleitoral, hoje quando termina o prazo das inscrições dos candidatos. A legenda é uma das formações ligadas ao bilionário e ex-premiê Thaksin Shinawatra (odiado pelo exército, mas muito popular entre a população de baixa renda) que ganharam todas as eleições desde 2001, incluindo o Puea Thai, cujo governo foi deposto no último golpe.

"O partido Thai Raksa Chart está profundamente honrado por receber a gentileza de Ubolratana Rajakanya em aceitar a indicação do partido como primeira-ministra", disse o partido, através de um comunicado. Foi destacada a vida de plebeia de Ubolratana nos Estados Unidos "após renunciar seu título real em 1972" depois de se casar com um americano, e seu trabalho em vários projetos sociais desde que retornou para a Tailândia.

"Ela concluiu que é hora de se voluntariar para servir como primeira-ministra, ajudar o país e as pessoas usando os conhecimentos e habilidades adquiridos ao longo dos anos em vários aspectos, tanto em nível local, como no exterior", acrescentou.

Minutos depois

Minutos depois após o anúncio da princesa, o comandante da junta que governa o país, Prayut Chan-O-Cha, também declarou que disputará o cargo, em uma tentativa de manter a influência dos militares quatro anos após o golpe. "Decidi aceitar o convite do Phalang Pracharat de apresentar meu nome ao Parlamento para ser nomeado primeiro-ministro", disse Prayut, em referência ao partido pró-militar fundado em 2018.

Prayut lidera a junta militar há quase cinco anos. O governo aprovou uma nova Constituição para redefinir o panorama político e garantir que os militares controlem o poder após as eleições. Sob o comando de Prayut, os militares se apresentaram como os protetores da monarquia. Mas a entrada da princesa Ubolratana no cenário político, ainda mais pelas mãos do grande inimigo da junta, questiona este argumento.

Além disso, a candidatura da princesa cria uma ponte entre os "camisas vermelhas" (os partidários de Shinawatra) e os "camisas amarelas" (monárquicos), que protagonizaram confrontos nas ruas da Tailândia nos últimos anos.

Ubolratana, uma personalidade extrovertida que contrasta com a do irmão, o rei Maha Vajiralongkorn, mais discreto, renunciou aos seus títulos reais ao casar com um americano há algumas décadas. Após o divórcio do casal, no entanto, ela retornou à Tailândia e ainda é considerada parte da família real. 

A Tailândia nunca teve um chefe de Governo da família real desde que se tornou uma monarquia constitucional em 1932. Usualmente, a família real tailandesa não se envolve no cotidiano político do país. / AFP, AP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.