AFP PHOTO / Johnny EGGITT
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Princesa Diana ainda afeta popularidade do príncipe Charles

Em meio às homenagens pelos 20 anos da morte de Lady Di, pesquisa mostra que 36% dos britânicos entrevistados consideram Charles importante para a monarquia; em 2013, eram 60%

O Estado de S.Paulo

31 Agosto 2017 | 15h54

LONDRES - A princesa Diana enfraqueceu a família real ao revelar em 1992 detalhes pouco lisonjeiros da vida do palácio ao escritor Andrew Morton, o qual assegurou à agência de notícias France-Presse que essas revelações ainda causam danos.

Em seu livro de 1992, "Diana, sua verdadeira história", Morton reunia as confidências que ela fez sobre seu casamento falido com o príncipe Charles, suas tentativas de suicídio e seu combate à bulimia, enquanto fornecia um retrato mordaz da vida na família real britânica.

O best seller jogou uma luz sobre o futuro rei e continua levantando dúvidas sobre a capacidade de Charles de suceder a sua mãe, Elizabeth II, no trono. E isso era exatamente o que pretendia Diana, segundo Morton.

"Não há qualquer dúvida de que, em suas conversas comigo e, depois, com a televisão, quando falava que o príncipe não estava preparado para ser rei, sempre considerava que William deveria assumir o papel do futuro rei", contou o biógrafo à agência durante uma entrevista em sua casa em Londres.

"Hoje, a maioria prefere que a coroa vá diretamente para cabeça do príncipe William. Isso não acontecerá, mas é, em parte, o sentimento do povo, influenciado pela vida de Diana", considerou o biógrafo.

Popularidade

Uma pesquisa do YouGov mostrou que as homenagens pelos 20 anos da morte de Diana afetaram a popularidade do príncipe Charles: 36% dos britânicos entrevistados consideraram o príncipe importante para a monarquia, frente aos 60% que tinham essa mesma opinião em 2013.

"O aniversário também reabriu velhas feridas por Camila, lembrando as pessoas do papel-chave que ela teve no fim do casamento, apresentado naquele momento como um conto de fadas", declarou Morton, que acabou de fazer algumas edições no seu livro. Segundo a enquete, somente 14% das pessoas pesquisadas desejam vê-la como rainha.

Diana, que causou grande rebuliço ao dizer que havia "três pessoas" em seu casamento, contactou Andrew Morton, correspondente real na época, por meio de um amigo, James Colthurst.

"Ela me contou histórias. A mais notável foi uma sobre como o príncipe Charles havia demitido seu secretário privado, que isso lhe deu uma sensação de controle e poder e ela gostava disso", lembrou. "O que eu não me dei conta naquela época é que Diana estava simplesmente desesperada. Ninguém havia me preparado para as revelações que viriam depois", explicou.

Confidências

Morton lembra o momento em que ouviu a primeira entrevista de Diana, gravada com James Colthurst, que desempenhou um papel de intermediário para que Lady Di pudesse continuar negando que havia se reunido com Morton.

"Fui convocado para um café popular de Londres (...), a gente comia ovos com bacon, falando sobre os resultados do futebol. Coloquei meus fones e fui transportado para outro mundo em que Diana falava de seus distúrbios alimentares, de seus desesperados pedidos de ajuda, de sua solidão, de sua infância, de sua vida principesca e do príncipe Charles", relembrou.

O biógrafo ouviu seis fitas repletas de confidências para escrever seu livro, que, entendeu imediatamente, tinha o poder de abalar a monarquia. "Estava preocupado com minha própria segurança e com o que poderia acontecer. Era incrivelmente estressante", admitiu.

Ele considera que, embora o livro tenha afetado a família real, a morte de Diana, cinco anos depois, obrigou a monarquia a promover mudanças necessárias. "Você tem uma nova geração que assume as rédeas, William e Harry, e eles assumem muitas das qualidades e especificidades de Diana. (...) Tornaram-se mais humanos, mais acessíveis", completa.

"Depois da tragédia do incêndio na Torre Grenfell, a primeira a lamentar foi a rainha", apontou, referindo-se ao episódio registrado em Londres que deixou 80 mortos no dia 14 de junho. "De certo modo, a família real adotou a forma como Diana administrava as coisas", concluiu. / AFP

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