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Princesa enfrenta rei da Tailândia e se candidata a primeira-ministra

Ubolratana Mahidol, de 67 anos, é irmã atual rei, Maha Vajiralongkorn, e concorrerá em desafio à junta militar que deu golpe há cinco anos

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2019 | 05h00

Uma princesa decidiu apresentar-se como candidata a primeira-ministra da Tailândia pela primeira vez em 86 anos de monarquia constitucional no país, lançando o país em um novo redemoinho político apenas cinco anos após um golpe que recolocou os militares no poder.

Ubolratana Mahidol, de 67 anos, é a princesa da Tailândia. Filha mais velha e menina dos olhos do falecido rei Bhumibol, ela é a irmã do atual rei, Maha Vajiralongkorn, de 66 anos.

Figura considerada excêntrica, ela abdicou de seus títulos reais em 1972 ao se casar com o americano Peter Jensen, e morou na Califórnia por 26 anos. Mas após se divorciar, em 1994, voltou à Tailândia e ainda é considerada parte da família real. Atleta, atriz e cantora, a princesa nunca demonstrou muito interesse pelo mundo político.

Tudo mudou nesta sexta-feira. Ela entrou na disputa pelo cargo de premiê como candidata do partido populista Thai Raksa Chart, sigla comandada por Thaksin Shinawatra, figura no centro da turbulência política e dos protestos de rua de opositores que assolam a sociedade tailandesa há anos. Shinawatra é um bilionário que foi premiê entre 2001 e 2006 e acabou deposto por um golpe militar.

Shinawatra vive no exílio no Reino Unido, é odiado pelo Exército, mas muito popular entre a população de baixa renda. Considerado um reformista, sempre foi visto pela velha Guarda Real e pelos militares como uma ameaça à monarquia. Mas sua popularidade permitiu que sua irmã se elegesse premiê em 2011. Ela caiu em 2014, após protestos desatados por denúncias de corrupção. Meses depois, o governo interino, ligado a Shinawatra, foi deposto por um golpe militar.

Após o anúncio da princesa, Prayuth Chan-ocha, líder da junta militar que governa o país desde 2014, também disse que será candidato, em uma tentativa dos militares de manter sua influência depois de quase cinco no poder. As eleições serão as primeiras no país desde 2011.

Sob o comando de Chan-ocha, os militares se apresentaram como os protetores da monarquia. A entrada da princesa Ubolratana no cenário político, ainda mais pelas mãos do grande inimigo da junta, questionaria esse argumento.

A candidatura da princesa foi posta em dúvida pelo rei Maha Vajiralongkorn, que classificou a ideia como “inapropriada e inconstitucional”. “O envolvimento de um membro de alto escalão da família real na política, em qualquer hipótese, é um ato que entra em conflito com as tradições, costumes e cultura do país”, disse. A tendência é que a oposição real faça com que ela seja desqualificada pela Comissão Eleitoral.

A indicação de um membro da realeza por parte do partido pró-Shinawatra poderia transformar uma eleição que estava sendo vista como uma batalha direta entre os populistas de Thaksin e seus aliados, de um lado, e o establishment fiel à realeza e aos militares, de outro.

O conflito entre as elites leais à realeza e Shinawatra e seus apoiadores em áreas mais rurais do país resultou em protestos de rua, golpes militares e confrontos violentos ao longo de quase 15 anos. / AFP e NYT

 

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