Miguel Gutiérrez/EFE
Miguel Gutiérrez/EFE

Principais adversários de Maduro nas eleições não farão aliança

3º nas pesquisas, Javier Bertucci descartou desistir de candidatura e apoiar Henri Falcón, que aparece em 2º

O Estado de S.Paulo

10 Maio 2018 | 21h33

CARACAS - O ex-pastor evangélico Javier Bertucci e o ex-governador Henri Falcón, os dois principais rivais do presidente Nicolás Maduro nas eleições presidenciais do dia 20 na Venezuela, não formarão uma aliança após o primeiro descartar nesta quinta-feira, 10, tal possibilidade.

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A opção de formar uma coalizão ganhou força nos últimos dias, sobretudo depois que o candidato Luis Alejandro Ratti decidiu se unir à campanha de Falcón na terça-feira, 8,  deixando em quatro o número de concorrentes à chefia de Estado.

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Além disso, uma aliança entre os dois - Falcón, que está em segundo lugar nas pesquisas, e Bertucci, em terceiro - daria aos opositores a chance de vencer Maduro e toda sua máquina administrativa, segundo a soma do desempenho de ambos nas últimas pesquisas divulgadas.

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Após organizarem as agendas, as equipes dos dois candidatos se reuniram na noite desta quarta-feira, 9, em vez dos próprios candidatos, como era esperado, em um claro sinal do distanciamento entre ambos.

As diferenças ficaram claras nesta quinta depois que Bertucci afirmou que "seria uma enorme mentira" essa reunião para dizer a Falcón que seus eleitores "vão migrar para sua candidatura, porque eles não irão fazê-lo".

Em entrevista à emissora privada Globovisión, Bertucci garantiu que seus correligionários são "chavistas que estão inconformados, incomodados" e também cristãos que não votariam pelo candidato do Avanço Progressista (o AP, partido de centro-esquerda) e governistas desencantados e críticos com o Executivo há anos.

No entanto, o candidato não fechou a porta definitivamente para uma futura união, mas que se daria de maneira oposta, com Falcón se juntando a sua campanha, e reconheceu que uma aliança é o mais lógico.

"Eu sei que os meus votos não irão para lá. Por outro lado, os votos do outro candidato, não são dele, são contra Maduro", argumentou o ex-pastor, convencido de que os simpatizantes de Falcón "podem migrar" para sua candidatura.

Falcón, por sua vez, não fez comentários sobre o encontro fracassado em seu dia de campanha no leste do país.

"Nada poderá deter a vontade de um povo decidido a mudar. Com uma avalanche de votos, alcançaremos o triunfo mais importante na história recente de nosso país. Você é o protagonista desta grande cruzada pela Venezuela, seu voto salvará o país da destruição", disse Falcón a seus eleitores no Twitter.

Situação

Já o presidente Maduro, que segue como favorito para vencer o pleito, aproveitou o dia para seguir com suas visitas diárias a dois Estados: Nueva Esparta, no norte, e Guárico, no centro.

O atual presidente aproveitou o dia para pedir votos e ameaçar o opositor Julio Borges, ex-presidente do parlamento, ao anunciar que "uma prisão está à espera do traidor da pátria", em alusão a ele quando decidir retornar ao país.

Borges é acusado constantemente por Maduro de pedir sanções contra a Venezuela. O opositor anunciou em fevereiro uma excursão internacional por causa da antecipação das eleições presidenciais no país sul-americano, que normalmente são organizadas no segundo semestre.

Um dos objetivos da excursão é, segundo comentou o próprio opositor na época, obter apoio para que sejam realizadas na Venezuela eleições "justas" e "livres", já que a maior parte da oposição, reunida na Mesa da Unidade Democrática (MUD), considera que o pleito convocado para o dia 20 é uma fraude.

O próprio Falcón, que era membro da MUD, desobedeceu ao acordo da aliança - que promove a abstenção - para se apresentar como candidato, uma decisão que resultou em sua expulsão.

Além de Maduro, Falcón e Bertucci, os quase 19 milhões de venezuelanos aptos a votar poderão também escolher o engenheiro Reinaldo Quijada, o candidato que manteve o perfil mais baixo até agora.

A escolha do chefe de Estado para o período 2019-2025 não será a única para os venezuelanos no dia 20, pois estes também elegerão os líderes dos conselhos legislativos dos 23 Estados do país. /EFE

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