AP Photo/Natacha Pisarenko/Sol Vazquez
AP Photo/Natacha Pisarenko/Sol Vazquez

Quem são os candidatos a presidente na eleição da Argentina

Conheça todos os nomes e as nove coligações que disputarão as primárias para a Casa Rosada em 2019

Clara Rellstab, O Estado de S.Paulo

12 de junho de 2019 | 21h48

O tabuleiro para as eleições presidenciais da Argentina está praticamente completo com a definição das principais alianças que disputarão as primárias de 11 de agosto. 

Nas duas principais chapas para a eleição argentina, a aliança governista Juntos pela Mudança (Juntos por El Camiño) chega às primárias com o presidente Mauricio Macri em busca da reeleição, enquanto a ex-presidente da Argentina Cristina Fernández de Kirchner concorre como vice de Alberto Fernández, da aliança kirchnerista Frente de Todos.

Apoiado pelo governo Bolsonaro no Brasil, Macri tenta minimizar os resultados desanimadores da economia argentina, como o PIB recuando 5,8% no primeiro trimestre e a inflação mensal  equivalente à anual brasileira. Do outro lado, Cristina, hoje senadora, se defende de acusações de corrupção - ela é acusada, entre outras coisas, de participação em um esquema de direcionamento de licitações públicas durante seu mandato.

A indecisão dos eleitores em meio a essa dualidade já consegue ser percebida nas intenções de voto. Segundo pesquisa do instituto Isonomia, divulgada no domingo, 23, a chapa Fernández/Fernández lidera com 45% das intenções de voto, enquanto Macri vem logo atrás com 43% - o que configura empate técnico. Em maio, pesquisa da Synopsis Consultores apontou uma diferença maior: Cristina liderava com 37,2%, ante 31,6% de Macri em segundo lugar.

Correndo por fora, de acordo com as pesquisas citadas, a "terceira via" em intenção de votos é o Consenso Federal, liderada pelo peronista Roberto Lavagna, ministro de Economia durante os governos de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner, e na qual o também peronista Juan Manuel Urtubey, governador da Província de Salta, é candidato a vice.

As primárias argentinas servem como uma peneira para o primeiro turno: só seguem no jogo aquelas alianças que apresentarem mais de 1,5% dos votos. O primeiro turno das eleições presidenciais no país está marcado para 27 de outubro. Um eventual segundo turno seria realizado no dia 24 de novembro.

Confira quais são as chapas inscritas nas primárias das eleições argentinas:

1. MAURICIO MACRI E MIGUEL ÁNGEL PICHETTO

A aliança governista vai às primárias com o presidente argentino na busca pela reeleição para um novo mandato de quatro anos à frente do governo. Eleito em 2015, Macri tem acumulado fracassos econômicos na presidência da Argentina. Ele enfrenta uma recessão que começou no ano passado, acompanhada de pobreza (32% em 2018), desemprego (10,1% no primeiro trimestre de 2019) e inflação (47,6% em 2018 e acumulou mais de 19% até maio passado).

Líder do partido Proposta Republicana (Pró), Macri, que que venceu as eleições passadas em aliança com a Coalizão Cívica e a União Cívica Radical, mantém agora esses aliados e uma supresa no setor do peronismo, representado por Miguel Ángel Pichetto. Ele era, há duas semanas, líder do maior bloco opositor a Macri no Senado, embora sempre tenha se distanciado de Cristina e apoiado parte dos projetos do governo desde a eleição de Macri.

A escolha de um peronista para o cargo de vice chamou atenção não só pelo fato de Pichetto ter sido aliado de Cristina quando ela foi presidente, mas por ser ele quem controla os votos necessários para tirar a imunidade parlamentar dela diante dos processos aos quais ela responde. Ele é contrário à perda de imunidade dela como senadora - a ex-presidente tem sete pedidos de prisão preventiva, não executados graças ao seu atual cargo.

2. ALBERTO FERNÁNDEZ E CRISTINA FERNÁNDEZ

O principal bloco opositor do governo no pleito argentino de 2019 é o Frente de Todos, composto por 15 forças políticas, incluída a kirchnerista Unidade Cidadã e o Partido Justicialista (PJ), a estrutura orgânica formal do peronismo. A chapa inscreveu como pré-candidato a presidente Alberto Fernández, ex-chefe de Gabinete dos governos Kirchner. 

A maior questão no que diz respeito à chapa está, no entanto, na candidata à vice. A ex-presidente, que ocupa uma cadeira no Senado, surpreendeu ao anunciar que não iria concorrer ao principal posto e sim à vice-presidência - que, no caso da Argentina, também significa a conquista do cargo de presidente do Senado.

Até agora, a estratégia parece ter dado resultado: escolher outro nome como candidato à presidência permitiu com que a chapa peronista se expandisse para além do núcleo duro do kirchnerismo. Além dos opositores mais radicais, a aliança conseguiu atrair também os peronistas descontentes com o presidente, mas que não se animavam com a possibilidade de um retorno do populismo de Cristina.

A candidatura do Partido Justicialista (PJ) terá, por exemplo, o apoio de Sergio Massa, do Frente Renovadora, terceiro colocado nas eleições presidenciais de 2015.

Fernández, advogado e atualmente professor de direito na Universidade de Buenos Aires, é dirigente político peronista e conhecido por uma forte capacidade de diálogo com as diversas forças políticas progressistas - a qualidade foi exaltada por Cristina na sua autobiografia “Sinceramente”, lançada em abril deste ano.

A candidata à vice-presidência, por sua vez, não anda nos seus melhores dias. A viúva de Néstor Kirchner tem hoje seis processos abertos, entre eles quatro por supostos casos de corrupção. Além dela, também são processados seus filhos e ex-funcionários de alto escalão.

3. ROBERTO LAVAGNA E JUAN MANUEL URTUBEY

Segundo as pesquisas, a terceira força em intenção de votos é o Consenso Federal, que criou a fórmula liderada pelo peronista Roberto Lavagna, ministro de Economia durante os governos de Eduardo Duhalde e Néstor Kirchner, e na qual o também peronista Juan Manuel Urtubey, governador da Província de Salta, será candidato a vice-presidente. Ambos são peronistas de centro e surgiram como uma alternativa à polarização.

A iniciativa, no entanto, perdeu força com a adesão de Fernández na fórmula eleitoral de Cristina, que arrastou uma porção importante do que se conhecia como Alternativa Federal e agora se apresenta com o nome de Consenso Federal. 

4. NICOLÁS DEL CAÑO/ ROMINA DEL PLÁ  

Nicolás del Caño é membro do Partido dos Trabalhadores Socialistas da Argentina e ex-candidato presidencial da Frente de Esquerda dos Trabalhadores. Nas eleições de 2015, o candidato superou os 800 mil votos, a melhor votação da esquerda desde a redemocratização da Argentina em 1983 - fato que converteu a FIT na quarta força política nacional. 

No pleito deste ano, ele concorre ao lado de Romina del Plá, deputada desde 2017 pela província de Buenos Aires

5. MANUELA CASTIÑEIRA / EDUARDA MULHALL

Única mulher entre os nove inscritos à Presidência, esta é a segunda vez consecutiva que Manuela Castiñeira apresenta a sua pré-candidatura. Nas eleições legislativas de 2017, foi a primeira candidata a deputada da aliança Izquierda al frente, uma união entre o Nuevo Mas e o Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MST) da Argentina - que já anunciou apoio à chapa FIT. 

Defensora ferrenha da descriminalização do aborto, faz duras críticas ao acordo entre o atual presidente e o Fundo Monetário Internacional (FMI) de adiantar fundos ao País para tentar amenizar as consequências da recessão que enfrenta. 

Eduardo Mullhall, candidato à vice-Presidência, havia anunciado que sairia candidato a governador, mas declinou para correr ao lado de Manuela. Foi candidato a governador em 2015, obtendo somente 1,8% dos votos. Entre outras coisas, fundou, em 1983, o Movimiento al Socialismo (MAS) e do Partido Socialista de los Trabajadores (PST).

6. JOSÉ LUIS ESPERT / LUIS ROSALES

José Luis Espert é um economista conservador e de perfil neoliberal. Apesar de nunca ter se aventurado na carreira política, tem no Twitter e redes sociais sua força. É nestes espaços em que Espert despeja críticas tanto contra Macri quanto a Cristina. Entre as principais propostas do economista, estão a abertura do comércio, baixar os impostos e encolher o Estado.

O pré-candidato a vice, Luis Rosales, é também estreante no jogo político: jornalista, Rosales é especialista em análises de temas internacionais. Formado em Administração, tem mestrado em Relações Internacionais e foi professor de Comunicação Política da Universidad del Salvador de Buenos Aires.   

7. JOSÉ GÓMEZ CENTURIÓN / CYNTHIA HOTTON

Militar aposentado e veterano da Guerra das Malvinas, José Gómez Centurión foi diretor geral das Alfândegas da Argentina (Dirección Nacional de Aduanas) de Macri entre 2015 e 2016. O órgão é responsável pela aplicação da legislação relacionada à importação e exportação de mercadorias, e controla o tráfego das mercadorias que entram ou retornam no território aduaneiro. 

Em 2017, assumiu a direção do Banco Nación. Após constantes discordâncias com decisões do presidente, anunciou sua demissão em março deste ano, juntamente à sua candidatura à Presidência.  

A conservadora e autoproclamada “defensora da família”, Cinthya Hotton, do partido Propuesta Republicana, é candidata à vice na chapa. Deputada pela Província de Buenos Aires, é conhecida por rechaçar a legalização do aborto, a ideologia de gênero e o matrimônio de pessoas do mesmo sexo. Foi deputada entre 2007 e 2011 pelo partido Valores

8. ALEJANDRO BIONDINI / ENRIQUE VENTURINO

Alejandro Biondini, um político ligado a setores nacionalistas que já flertou com peronismo, representará a Frente Patriota. Ligado à extrema direita e simpático ao nazismo, o também presidente do partido Bandera Vecinal tem acumulado declarações polêmicas contra Israel - ele sugeriu, por exemplo, que o Estado fosse “banido do mapa” e o embaixador israelense na Argentina fosse expulso do país. Para o cargo de vice, a frente traz o ex-militar Enrique Venturino.

9. JOSÉ A. ROMERO FERIS / GUILLERMO SUELDO

Sem alianças com outras forças, pelo Partido Aut Nacional concorre José Antonio Romero Feris, ex-governador da província nortista de Corrientes e representante do Partido Autonomista Nacional, uma força liberal conservadora constituída em 1874. O professor de direito e democrata Guillermo Sueldo concorre a vice pela chapa.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.