AP Photo/Jorge Saenz
AP Photo/Jorge Saenz

Principais candidatos à presidência votam na Argentina

Daniel Scioli, Mauricio Macri e Sergio Massa foram às urnas cedo para acompanhar o jogo da semifinal do Mundial de rúgbi entre Argentina e Austrália

O Estado de S. Paulo

25 Outubro 2015 | 16h27

BUENOS AIRES - Os argentinos votam neste domingo, 25, por uma nova era política, sem um Kirchner no poder. Os três principais candidatos à presidência da Argentina, o governista Daniel Scioli e os opositores Mauricio Macri e Sergio Massa, votaram logo cedo para não perder a semifinal do Mundial de rúgbi - quando Argentina enfrenta Austrália.

Scioli, apoiado pela presidente Cristina Kirchner e sua coalizão de esquerda Frente para a Vitória (FPV), é o grande favorito. Este ex-campeão mundial de motonáutica, que teve o braço direito amputado após uma competição, tem uma vantagem de cerca de 10 pontos à frente de Mauricio Macri, o prefeito conservador de Buenos Aires.

A incógnita das eleições, das quais participarão cerca de 32 milhões de eleitores, é se Scioli conseguirá somar os 45% de votos ou os 40% e uma diferença de dez pontos sobre o segundo para evitar o segundo turno. Caso não consiga, uma nova votação será realizada em 22 de novembro.

"Vamos nos contagiar com o espírito dos Pumas, para mim, eles são o que a Argentina deve ser, com essa garra, esse orgulho, essa força para levar a camisa argentina", disse Scioli ao votar Villa La Ñata, seu domicílio eleitoral na província de Buenos Aires - que governa desde 2007.

Seu principal adversário, o prefeito de direita de Buenos Aires, Mauricio Macri, de 56 anos, também se referiu ao mundial de rúgbi na Inglaterra, no qual "Los Pumas" (como é conhecida a equipe argentina) enfrentarão os "Wallabies" (australianos).

"Vou almoçar com meus filhos na casa de campo e obviamente irei assistir aos Pumas, que são um exemplo da Argentina que queremos", disse o político, esperançoso sobre sua vitória e a da seleção local.

O terceiro na disputa e mais jovem entre os principais, Sergio Massa, de 43 anos, apostou numa mudança política, ganhe quem ganhar. "Nós acreditamos que hoje nasce uma nova Argentina, hoje termina uma etapa e começa outra", afirmou.

O dia de votação começou às 9h (de Brasília) e terminará às 19h. Por volta de meia-noite devem começar a ser divulgados os primeiros números.

Os três candidatos de origens italianas têm outros três rivais, mas sem muito peso nas pesquisas de intenção de voto: Margarita Stolbizer, progressista de centro esquerda, Adolfo Rodríguez Saa, peronista conservador e Nicolás del Caño, trotskista da Frente de Esquerda.

A votação de hoje também renovará um terço do Senado, metade da Câmara dos Deputados e 11 dos 25 governadores.

Diferenças. Scioli governa a província de Buenos Aires, a mais populosa do país com 16 milhões de habitantes. Aliou-se a presidente Cristina Kirchner, mas já mostrou suas diferenças ao antecipar um gabinete de centro-direita.

"Não proponho nenhuma revolução. Manter o que deve ser mantido, mudar o que precisa mudar", afirmou Scioli, que é bacharel em administração de empresas.

Sem o carisma nem a retórica inflamada de Kirchner, atrai o eleitorado como homem amigável e equilibrado. Coincide com as políticas sociais de Kirchner mas não com sua adesão ao eixo bolivariano regional.

Macri reúne votos antikirchneristas das classes médias urbanas e rurais. Tem apoio do 'lobby' que ele mesmo chama de 'círculo vermelho', dos grandes grupos de empresários e meios de comunicação.

Foi presidente do popular time de futebol Boca Juniors num período de muito êxito, com 17 títulos. É filho de Franco Macri, fundador de um império empresarial. Já disse que o país deve pagar os "abutres", os fundos especulativos dos Estados Unidos.

A Argentina reestruturou sua dívida em default em duas negociações, em 2005 e 2010. Cerca de 93% de seus credores aceitaram essas ofertas de reembolso parcial, mas os 7% restante rejeitaram, pedindo o reembolso integral de todas as dívidas mais os juros.

Massa, que foi chefe de gabinete de Cristina Kirchner, passou para uma oposição voraz. Suas promessas de campanha foram importantes para romper a polarização Scioli-Macri.

"Votem, façam uso de seu direito ao voto e encham as urnas", pediu Massa, após depositar sua cédula em um colégio do município de Tigre.

"Acredito que o desafio mais importante é que todos nós argentinos temos a responsabilidade de cuidar do voto e vamos fazer tudo para cuidar dos votos das pessoas. Se queremos construir um país novo, o mais importante é respeitarmos a lei", declarou à imprensa. / AFP e EFE

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.