Principais pontos de discussão entre Rússia e EUA

Países tentam melhorar relações após desavenças durante governo Bush; escudo antimísseis e Irã divide opiniões

Reuters,

06 de março de 2009 | 16h46

O ministro do Exterior russo Sergei Lavrov se encontrou com a secretária de Estado americana Hillary Clinton em Genebra nesta sexta-feira, 6, na primeira conversa formal de alto escalão entre os governos desde que o presidente Barack Obama chegou à Casa Branca, em janeiro. Leia abaixo os principais pontos de discussão entre Washington e Moscou.   Veja também: Hillary Clinton anuncia 'recomeço' nas relações com Rússia Diálogo com Rússia não altera apoio à Georgia, diz Hillary Gilles Lapouge: A atuação globalizante dos Estados Unidos   Avanços   A Rússia se diz pronta para uma ampla cooperação com a administração Obama, depois de um período de relações fracas durante o governo de George W. Bush. A nova gestão americana afirmou que pretende "apertar o botão reset" nos contatos com Moscou e focar no Afeganistão, escudo antimísseis, desarmamento nuclear e Irã. O primeiro-ministro russo Vladimir Putin disse que se Obama mudar as políticas americanas, seu país responderá rapidamente.   Desarmamento nuclear   Os dois países vêm discutindo formas para substituir o Tratado de Redução de Armas Estratégicas (START I), que expira em dezembro. As conversas ainda estão em estágio inicial.   Afeganistão   Os EUA consideram dobrar sua presença militar no Afeganistão e quer que a Rússia ajude com rotas alternativas para a passagem de suprimentos, devido aos constantes ataques que os comboios americanos têm sofrido nas rotas via Paquistão. Oficiais russos acreditam que se o Taleban não for contido, a militância islâmica pode se espalhar pelas ex-repúblicas soviéticas na Ásia Central e chegar na Rússia em última instância.   O presidente russo Dmitri Medvedev disse que seu país está interessando em implementar a cooperação no Afeganistão, e Moscou já permitiu que o EUA usassem seu território para a passagem de suprimentos militares não-letais.   Otan   A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) é vista com grande desconfiança pela Rússia. Para oficiais de Moscou, a expansão do órgão, criado durante a Guerra Fria, é uma tentativa americana e de poderes europeus para conter a influência russa. O governo russo se opôs fortemente à proposta da administração Bush de incluir Geórgia e Ucrânia na aliança atlântica.   Por sua vez, a Otan respondeu que os dois países eventualmente serão aceitos, mas não forneceu a eles o Membership Action Plan (MAP), um conjunto de normas e termos que abre caminho para a adesão ao grupo. Nesta semana, os 26 ministros dos países-membros concordaram em retomar as relações com a Rússia, que estavam suspensas desde a guerra com a Geórgia.   Irã e escudo antimísseis   O Kremlin disse que a Rússia está aberta para dialogar sobre a proposta americana de instalar um escudo antimísseis na Polônia e República Checa, mas Medvedev desmentiu que seu país e os EUA estão tentando algum tipo de acordo envolvendo o Irã.   Washington indicou que poderia desistir de instalar o sistema de defesa se tivesse a cooperação russa contra a ameaça nuclear iraniana. O governo russo respondeu que o Ocidente deve ser cauteloso ao pressionar Teerã. A Rússia também já anunciou que poderia deixar para trás seus planos de construir uma base para mísseis de longo alcance em seu enclave de Kaliningrado se os EUA desistissem do escudo antimísseis.

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