Principal comandante militar do Taleban é capturado

O principal comandante militar do Taleban foi capturado no Paquistão em uma operação conjunta das forças de inteligência dos Estados Unidos e locais, segundo um alto funcionário norte-americano e outras fontes. Segundo o norte-americano, o Paquistão mantém detido há vários dias Mullah Abdul Ghani Baradar, segundo membro mais importante do Taleban, atrás apenas de seu fundador, mulá Mohammad Omar.

(AE-AP), Agencia Estado

16 de fevereiro de 2010 | 14h33

O funcionário dos EUA falou nesta terça-feira, pedindo anonimato. Um agente de inteligência paquistanês confirmou que Baradar foi preso dez dias atrás e está sendo interrogado. O jornal The New York Times informou primeiro sobre a prisão, em seu site.

O ministro do Interior do Paquistão, Rehman Malik, qualificou como "propaganda" o anúncio sobre a prisão do líder rebelde na operação conjunta com os EUA. Falando a repórteres nas proximidades do Parlamento, em Islamabad, Malik não confirmou nem negou que Baradar estivesse preso.

"Nós estamos verificando todos os que prendemos. Se houver um grande alvo, eu mostrarei à nação", disse. "Se o New York Times dá uma informação, não é a verdade divina, isso pode estar errado. Nós (EUA e Paquistão) temos compartilhamento de informação de inteligência, não investigação conjunta, nem operações conjuntas", afirmou o ministro, enfatizando a soberania paquistanesa.

Um porta-voz do Taleban no Afeganistão afirmou que Baradar ainda está livre, mas não tinha provas disso. "Negamos totalmente esses rumores. Ele não foi preso", garantiu Zabiullah Mujahid, em entrevista por telefone. Segundo ele, o relato sobre a prisão é propaganda ocidental para minimizar a resistência dos rebeldes a uma ofensiva em Marjah, no sul afegão, um bastião do Taleban.

"O Taleban está tendo êxito com nossa guerra santa. (A notícia) é para tentar desmoralizar o Taleban, que está em guerra santa em Marjah e em todo o Afeganistão", afirmou o porta-voz.

A agência de espionagem do Paquistão foi acusada, no passado, de proteger altos líderes do Taleban afegão escondidos no país. Prender Baradar poderia ser um sinal de que Islamabad está considerando cada vez mais perseguir o Taleban, ou ao menos alguns de seus membros.

A prisão ocorre durante uma nova tentativa dos EUA e da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) para negociar com líderes afegãos do Taleban, tentando acabar com uma guerra de oito anos no Afeganistão. O Paquistão tem papel importante nesse processo, graças a seus vínculos próximos com o movimento, que o país apoiava antes dos atentados de 11 de setembro de 2001 nos EUA.

Karachi é a maior cidade do Paquistão e tem sido citada como possível esconderijo de comandantes afegãos do Taleban. Há ali uma população grande de pashtuns, grupo étnico a que pertence o Taleban, mas está perto do Mar Arábico, longe da fronteira afegã.

Baradar encabeça o conselho militar do Taleban e subiu ao posto após a morte, em 2006, do chefe militar mulá Akhtar Mohammed Usmani. Ele coordena operações militares no sul e sudoeste do Afeganistão. Sua área de comando se estende pelas províncias de Kandahar, Helmand, Nimroz, Zabul e Uruzgan. Segundo a Interpol, Baradar foi o vice-ministro de Defesa no regime do Taleban, que controlou o Afeganistão até ser derrubado pela invasão comandada pelos EUA, em 2001. Com informações da Dow Jones.

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