Brendan Mcdermid/Reuters
Brendan Mcdermid/Reuters

Presidente do Irã ameaça europeus por disputa sobre acordo nuclear

Hassan Rohani disse que 'soldados europeus podem estar em perigo' após Reino Unido, França e Alemanha acionarem mecanismo que abre caminho para sanções

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de janeiro de 2020 | 05h49
Atualizado 16 de janeiro de 2020 | 14h54

NOVA DÉLI - O presidente do Irã, Hassan Rohani, criticou nesta quarta-feira, 15, a Europa por acionar o mecanismo do acordo nuclear firmado em 2015 para acusar formalmente o Irã de desrespeitar o tratado - e abrir caminho para novas sanções.

Rohani disse que ao acionar o chamado "mecanismo de disputa", Reino Unido, França e Alemanha "colocaram o acordo nuclear na UTI". O presidente do Irã também fez uma ameaça aos europeus; "Hoje, o soldado americano está em perigo, amanhã o soldado europeu pode estar em perigo", disse Rohani, sem dar mais detalhes.

Desde que os EUA ordenaram a morte do general Qassim Suleimani, no dia 3, o regime iraniano vem caminhando na corda bamba, tentando demonstrar força para a população insatisfeita com a crise econômica e prometendo vingança.

Ao mesmo tempo, os iranianos tentam não exagerar na retaliação, para não provocar um conflito devastador contra os americanos. 

Uma das respostas anunciadas pelo regime, na semana passada, foi a retomada do enriquecimento de urânio e o aumento do número de centrífugas, o que praticamente sepultou o acordo nuclear de 2015.

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Queda do avião ucraniano no Irã

Rohani também disse que as Forças Armadas devem "pedir desculpas" pela queda do avião de passageiros ucraniano em 8 de janeiro e que "expliquem ao povo o que aconteceu" para que as pessoas entendam que o "Irã não quer esconder nada".

Em 14 de janeiro, Rohani pediu a criação de um tribunal especial para investigar a queda do avião e disse que todos os responsáveis ​​pelo "erro imperdoável" devem ser "punidos".

Rohani lançou um apelo pela "unidade nacional" em meio a contínuos protestos no Irã por causa da derrubada do avião de passageiros ucraniano pelas defesas aéreas do país há uma semana.

Enquanto isso, o judiciário do Irã anunciou em 14 de janeiro as primeiras prisões feitas por causa do desastre aéreo, sem nomeá-las ou especificar quantas.

Amirali Hajizadeh, chefe da divisão aeroespacial do Corpo Revolucionário da Guarda Islâmica (IRGC), disse que sua unidade aceita "total responsabilidade" pela tragédia.

O líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei, expressou sua "profunda simpatia" às famílias das 176 vítimas e instou as forças armadas a "perseguir prováveis ​​falhas e culpas no doloroso incidente".

Chanceler do Irã admite 'mentira' sobre avião

O chanceler do IrãMohammad Javad Zarif, admitiu na terça-feira, 15, que os iranianos "mentiram" por dias após as Forças Armadas do país abaterem acidentalmente o avião ucraniano, matando 176 pessoas.

O acidente provocou dias de protestos furiosos no país. "Nas últimas noites, tivemos pessoas nas ruas de Teerã protestando contra o fato de terem sido enganadas por alguns dias", disse Zarif.

Zarif elogiou os militares do Irã por serem "corajosos o suficiente para reivindicar responsabilidades desde o início". No entanto, disse que ele e o presidente Hassan Rohani só descobriram que um míssil decolou na sexta-feira, 10, levantando novas questões sobre quanto poder o governo civil do Irã tem em sua teocracia xiita.

A Guarda Revolucionária paramilitar do Irã, que derrubou a aeronave, soube imediatamente depois que seu míssil derrubou a companhia aérea.

A Guarda responde apenas ao líder supremo Aiatolá Ali Khamenei, que deve presidir as orações de sexta-feira no Irã pela primeira vez em anos./ AP

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