Principal grupo de oposição no exílio não se entende

Cenário: Anne Barnard/NYT

É JORNALISTA, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2012 | 03h04

A principal facção de oposição síria no exílio ficou seriamente desfalcada na quarta-feira, quando alguns membros importantes renunciaram aos seus cargos, qualificando o grupo de autocrático e afirmando que ele está dominado pela Irmandade Muçulmana e impotente para ajudar os rebeldes na Síria - na medida que as forças do governo liquidam bases insurgentes no norte e invadem a cidade rebelde de Deraa no sul do país.

O controle quase total do governo das cidades de Homs e Idlib alimentou a frustração do grupo no exílio, o Conselho Nacional de Transição. Foi o que disse um ativista que deixou o movimento, Kamal al-Labwani, um respeitado dissidente libertado de uma prisão síria no ano passado depois de cumprir metade de uma pena de 12 anos.

Ativistas disseram que centenas de pessoas foram mortas somente em Homs, pois os combatentes rebeldes, sem resposta aos seus apelos por armas, ficaram numa posição completamente inferior em relação ao Exército fortemente armado. "O que ocorreu em Homs foi traição", disse Labwani. "Há uma enorme irresponsabilidade da parte do Conselho Nacional de Transição."

O conselho, acrescentou o ativista, corre o risco de provocar divisões na sociedade síria, por não criar um único comando militar rebelde sob seu controle e deixar milícias individuais saírem em busca das suas próprias fontes de ajuda. Ele acusou membros da Irmandade Muçulmana dentro da oposição no exílio de "monopolizar o financiamento e o apoio militar".

Com 270 membros, a entidade tem sido atormentada por desacordos internos. Um membro do comitê executivo, Samir Nachar, procurou tirar a importância dos recentes atritos, dizendo que os integrantes não ofereceram um pedido de renúncia formal e estavam apenas frustrados por terem sido excluídos de um encontro com o enviado especial das Nações Unidas à Síria, Kofi Annan.

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