Principal guerrilha da Nigéria anuncia fim de trégua

Grupo não aceitou plano de anistia do governo e não chegou a acordo alternativo com autoridades

Efe,

16 de outubro de 2009 | 11h58

O principal grupo guerrilheiro do sul da Nigéria, o Movimento para a Emancipação do Delta do Níger (Mend, na sigla em inglês), encerrou nesta sexta-feira, 16, a trégua unilateral que mantinha com o Governo e as empresas petrolíferas do país.

 

Em comunicado divulgado pela internet, a organização guerrilheira anunciou que, a partir desta sexta-feira, passa a atacar "as empresas petrolíferas, às Forças Armadas e seus colaboradores".

 

O Mend não aceitou a anistia oferecida pelo governo de Abuja aos grupos armados da região petrolífera do sul do país que depusessem as armas, embora tenha designado uma comissão de quatro notáveis para negociar um acordo com o Governo, que não chegou a ser configurado, e manteve, até esta sexta, uma trégua de 90 dias.

 

Mais de 8 mil guerrilheiros, que entregaram quase 3 mil armas e outros grupos, acolheram à anistia oferecida pelo governo e esperam agora as medidas de reabilitação e reinserção prometidas pelo presidente do país, Umaru Yar'Adua.

 

No entanto, a direção do Mend anunciou que tinha substituído os líderes que abandonaram a luta armada e que, em uma próxima fase, atacará todo o tipo de instalações petrolíferas e não se limitará a violar oleodutos.

 

O Mend acusa o Governo da Nigéria e às multinacionais petrolíferas de levarem a riqueza do sul do país e destruírem os recursos naturais, sem fazer melhorias sociais na região, onde a maior parte da população vive na miséria.

 

Em 2006, a milícia iniciou uma luta armada para conquistar maior autonomia política e investimentos na região, o que fez cair a produção petrolífera do país em 1 milhão de barris ao dia até pouco mais de 1,5 milhão de barris diários. Por este motivo, a Nigéria, tradicionalmente o maior exportador de petróleo da África, perdeu o posto para Angola.

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