Príncipe Charles é acusado de 'intromissão' política

O príncipe Charles teve 36 reuniões privadas com ministros do Gabinete britânico nos últimos três anos, revelou o jornal The Daily Mail, nesta segunda-feira, e o grande número de encontros tem estimulado acusações de que o herdeiro do trono está se intrometendo na política.

Agência Estado

12 de agosto de 2013 | 15h01

O jornal compilou uma lista de reuniões a partir de registros públicos. Elas incluem sete com o primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, desde a eleição em maio de 2010.

Espera-se que o herdeiro do trono seja politicamente neutro, mas Charles, de 64 anos, expressou opiniões fortes sobre questões que incluem educação, arquitetura, religião, meio ambiente, alimentos orgânicos e homeopatia.

As reuniões incluíram sete com ministros responsáveis por energia e mudança climática e cinco com ministros do meio ambiente.

Em um editorial, o jornal, que é favorável à família real, acusou Charles de uma "campanha de intromissão". "Ao fazer lobby com ministros a portas fechadas, o príncipe parece estar usando sua posição para manipular a política", acrescentou o jornal.

O gabinete de Charles disse hoje que o príncipe tem a obrigação "de levar sua perspectiva única" e experiência para as reuniões com as autoridades.

O escritório afirmou também que as reuniões eram parte das preparações de Charles para o próximo monarca e que ele contribuiu com "ideias, perspectivas e conhecimento construídos durante 40 anos de experiência em uma variedade de áreas com o intuito de transformar vidas e construir comunidades sustentáveis".

A monarquia constitucional britânica não tem nenhum poder político, mas se reúne regulamente com primeiros-ministros e outros políticos para conversar sobre eventos do dia. Em contraste com seu filho, a rainha Elizabete II não expressava suas opiniões pessoais.

Essa não é a primeira vez que surgem preocupações sobre as atividades políticas de Charles. O governo e o Tribunal Superior do país bloquearam uma tentativa do jornal The Guardian para forçar a divulgação de cartas do príncipe para funcionários do governo.

O procurador-geral Dominic Grieve disse no ano passado que as cartas "particularmente francas" refletem as visões pessoais de Charles e podem passar a impressão aos britânicos de que o seu futuro monarca não é politicamente neutro. Fonte: Associated Press.

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