Príncipe do Japão continua defendendo sua princesa

O príncipe herdeiro Naruhito chegou, hoje, ao Japão, depois de assistir os casamentos reais na Europa, para encarar a exaltação a que deu ignição, quando disse que forças palacianas contribuíram para o stress de sua mulher. E resolveu não deixar o assunto morrer. Naruhito chamou a atenção para os problemas da princesa Masako, antes de sua viagem européia, ao emitir uma reprovação sem precedentes aos funcionários do cerimonial do palácio, que teriam restringido as atividades de sua mulher. Os funcionários viram-se em dificuldades para responder e disseram que perguntariam ao príncipe o que pensava deles, mais claramente, quando ele voltasse para casa. Masako não acompanhou Naruhito aos casamentos reais, na Dinamarca e Espanha, por não estar totalmente recuperada do herpes-zóster, doença induzida por stress e fadiga. Ela não aparece em público desde dezembro. Numa nota distribuída depois de seu retorno, Naruhito lamentou a ausência da Masako em suas viagens e agradeceu aos estrangeiros pelo apoio. ?É verdadeiramente triste que a princesa não tenha podido acompanhar-me. Estou grato pelo encorajamento que recebi de pessoas de vários países e pelo interesse que manifestaram sobre o estado de Masako?, disse Naruhito. ?Ficaria feliz se pudéssemos fazer a viagem juntos algum dia?, acrescentou. Em observações feitas à mídia, no dia 10, antes de partir para a Dinamarca, o príncipe criticou funcionários, que não identificou, por negar à sua mulher o direito de ser ela mesma. ?Masako tentou fazer o melhor nestes 10 anos para ajustar-se à vida palaciana, mas isto a exauriu?, disse então Naruhito. ?É verdade que houve movimentos para negar a carreira de Masako e sua personalidade.? Analistas dizem que Naruhito estava responsabilizando funcionários da Agência de Cerimonial Imperial, que exerce rigoroso controle sobre os assuntos da família real e tem a reputação de ser excessivamente conservadora. Masako, educada em Harvard, ex-diplomata, fluente em várias linguas, esteve no exterior apenas cinco vezes desde seu casamento, em 1993 ? uma restrição que ?estressou fortemente? a princesa, assegurou Naruhito. A princesa também enfrenta uma forte pressão para produzir um herdeiro real. Masako, de 40 anos, e Naruhito, de 44, têm uma filha, mas mulheres não podem acender ao trono, de acordo com a legislação atual. Masako não é a primeira a sofrer uma difícil transição na família imperial. A mãe de Naruhito, imperatriz Michiko, também queixava-se de um tratamento duro nas mãos dos conservadores do palácio e teve de retirar-se, um tempo, de suas obrigações de princesa depois de um aborto nos anos 60.

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