Príncipe Harry é 'covarde', diz Taleban

Declarações do nobre, que comparou guerra no Afeganistão com videogame, são usadas como propaganda pelos insurgentes

LONDRES, O Estado de S.Paulo

23 de janeiro de 2013 | 02h02

O comando do Taleban reagiu ontem aos comentários do príncipe Harry, terceiro na linha de sucessão do trono britânico, que na segunda-feira disse ter matado insurgentes no Afeganistão. Em entrevista ao diário britânico The Daily Telegraph, Zabihullah Mujahid, porta-voz do grupo radical, chamou Harry de "covarde" e disse que comparar a guerra com um jogo de videogame é "humilhar qualquer um".

"É uma alegria para mim, porque eu sou uma daquelas pessoas que gostam de jogar PlayStation e Xbox", declarou Harry sobre sua participação no conflito. Piloto de helicópteros Apache, o príncipe passou pouco mais de quatro meses no Afeganistão, para onde foi enviado após se envolver em novo escândalo, quando fotos dele e de uma jovem nus, em um hotel em Las Vegas, foram divulgadas pela imprensa.

As declarações do príncipe foram exploradas ontem como propaganda pelos insurgentes, que tentam continuamente jogar os afegãos contra as tropas estrangeiras no país.

O príncipe, disse Mujahid, "expôs o nível das forças que a Otan é capaz de enviar". "Suas declarações nem sequer valem uma condenação. É pior do que isso", comentou o porta-voz. "Descrever a guerra no Afeganistão como um jogo humilha a qualquer um - especialmente ao príncipe. Mostra falta de compreensão e conhecimento. Mostra que não tem familiaridade com a situação e revela por que motivo estão perdendo (a guerra)."

"Não vamos levar os comentários muito a sério, pois sabemos que soldados estrangeiros, invasores no Afeganistão, desenvolvem algum tipo de doença mental quando deixam o país", disse Mujahid. Ele afirmou que o Taleban sabia da presença de Harry na base militar de Camp Bastion quando os insurgentes lançaram um ataque com morteiros no local em setembro, matando dois militares americanos.

Outro miliciano de alto escalão do Taleban, no comando da insurgência em Helmand, disse ao Daily Telegraph que descrever os esforços - e mortes - no Afeganistão como parte de um jogo era um "desrespeito". "Não é um jogo. É muito, muito real", declarou, sem ter seu nome revelado.

Críticas. Os jornais e tabloides britânicos deram ontem manchetes com as declarações do príncipe, como "Harry: Eu matei (soldados) taleban", no Daily Mail, com poucas críticas. "A missão do príncipe é um tributo aos valores do Exército, da monarquia e do país", escreveu The Times.

Enquanto isso, autoridades afegãs criticaram Harry por ter dado aos insurgentes material de propaganda contra as forças de coalizão. "Por enquanto, metade das pessoas diz que as forças estrangeiras devem permanecer por mais tempo. Mas se dizem este tipo de coisas, mais gente vai querer que voltem para casa", disse Sharifullah Kamawal, membro do Parlamento afegão. / REUTERS

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