Alain Jocard/AFP Photo
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Príncipe Henrik da Dinamarca morre aos 83 anos

Casa Real anunciou em setembro que ele sofria de demência; Henri de Laborde de Monpezat estava oficialmente aposentado desde janeiro de 2016

O Estado de S.Paulo

14 Fevereiro 2018 | 03h06
Atualizado 14 Fevereiro 2018 | 09h11

ESTOCOLMO - O príncipe Henrik da Dinamarca, um aristocrata francês que era fã de vinhos e poesias, casado com a rainha Margrethe II, mas que nunca realizou o sonho de usar a coroa, morreu na noite de terça-feira 13 aos 83 anos.

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"Sua Alteza Real, o príncipe Henrik morreu na terça-feira 13 de fevereiro às 23h18 no Castelo de Fredensborg", residência oficial que fica a 40 quilômetros da capital dinamarquesa, informou a Casa Real.

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No momento da morte, ele estava acompanhado pela mulher e os dois filhos. O príncipe havia sido levado para casa na terça-feira para "viver seus últimos momentos", indicou o Palácio. A Casa Real dinamarquesa anunciou em setembro que ele sofria de "demência". 

No dia 9 de fevereiro, seu filho, o príncipe herdeiro, interrompeu a viagem à Coreia do Sul em razão dos Jogos Olímpicos de Inverno para ficar ao lado de seu pai.

Nascido no dia 11 de junho de 1934 em Talence, na região de Bordeaux (sudoeste da França), Henri Marie Jean André de Laborde de Monpezat se casou em junho de 1967 com a herdeira do trono da Dinamarca, Margrethe, coroada em janeiro 1972.

Desde 1.º de janeiro de 2016, o príncipe consorte estava oficialmente aposentado, liberado das obrigações que cumpria com maior ou menor entusiasmo, de acordo com seu humor, marcado pelo desgosto de nunca ter recebido o título de rei.

Em 2017, informou publicamente que não desejava ser enterrado ao lado da mulher na necrópole real da Catedral de Roskilde, como é tradição nas famílias reais. Por não ter obtido o título e o papel que sempre desejou, alegava que não havia sido tratado como seu igual em vida e, portanto, não desejava tal tratamento na morte.

História

Henri de Laborde de Monpezat passou o primeiros anos de vida na Indochina, onde seu pai administrava as plantações da família. A guerra os expulsou definitivamente de Vietnã, mas Henri voltou posteriormente a Hanói para passar em seu exame de bacharelado.

Depois de estudar Ciências Políticas, vietnamita e chinês, abraçou a carreira diplomática. Tinha um cargo em Londres quando conheceu Margrethe, então herdeira da coroa dinamarquesa.

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Após o casamento, mudou de nome, renunciou à nacionalidade francesa e se naturalizou dinamarquês, e trocou o catolicismo pelo protestantismo. Mas permaneceu resignado, a contragosto, a ficar atrás de Margrethe, adorada por seus súditos.

"Aceito jogar o jogo. Mas é muito duro para um homem não ser considerado no mesmo plano que sua mulher", admitiu em suas memórias, O destino obriga, publicadas em 1997. "Tudo o que fazia era criticado. Meu dinamarquês era fraco. Preferia o vinho à cerveja, meias de seda e não de lã, carros Citroën aos Volvo, o tênis ao futebol. Era diferente."

Em 1984, 12 anos após a chegada ao trono de sua mulher, recebeu a própria remuneração, deduzida do orçamento da rainha. Treze anos depois, substituiu pela primeira vez a soberana, enferma, durante uma visita à Groenlândia.

Em 2002, um novo drama: a rainha Margrethe, abalada por uma gripe, pediu ao príncipe herdeiro, Frederik, que a substituísse na leitura da mensagem de ano-novo. Sem pensar duas vezes, o príncipe consorte abandonou Copenhague furioso e seguiu para o Castelo de Cayx, sua propriedade no sul da França.

Henrik, que também era escultor, publicou vários livros de poemas, alguns deles ilustrados pela própria Margrethe, uma artista respeitada. / AFP

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