Príncipe herdeiro volta à Itália

Pondo fim a um exílio de 56 anos, desembarcou hoje no Aeroporto Internacional de Ciampino, na capital italiana, o príncipe Victor Emanuele de Saboya, de 65 anos, herdeiro do trono italiano. "É uma emoção indescritível, que não pode ser expressada por palavras", disse Victor Emanuele, aos jornalistas que o aguardavam. "Meus sentimentos são ainda mais intensos porque foi exatamente neste aeroporto que teve início toda a história do exílio dos Saboyas", acrescentou o príncipe que se dirigiu com a mulher, Marina Recolfi Doria, e o filho Emanuele Filiberto, de 30 anos, ao Vaticano, para um encontro especial com o papa João Paulo II. Os italianos não nutrem grandes simpatias pela família real, pelos laços dela com Mussolini e Hitler. Além disso, o rei Victor Emanuele III, avô do príncipe, sancionou legislação racista em 1938, que resultou na deportação de 8.000 judeus italianos para campos de concentração. Por isso, logo depois da guerra, em 1946, os italianos decidiram, em plebiscito, abolir a monarquia e expulsar Victor Emanuele III e todos seus parentes do país, e proibi-los de regressar. Mas, depois de décadas de queixas e clamores da família real, o Parlamento italiano acabou revogando a proibição. "Estar em Roma me fortalece o coração..., sinto-me rejuvenescido ao revê-la, assim, bela, apesar de ter sido forçado a deixá-la quando tinha apenas 9 anos", ressaltou o neto de Victor Emanuele III. O pai, Humberto I, teve um reinado brevíssimo. Expulsa, a família real italiana (o rei destituído Humberto I, a rainha Maria José, o filho Victor Emanuele e as filhas Maria Gabriela, Maria Pia e Maria Beatriz) foram viver inicialmente em Portugal, mudando-se depois para Genebra, na Suíça. O príncipe Victor Emanuele nasceu em Nápoles, em 1937. Casou-se, em 1971, com Marina Doria, herdeira de um império industrial suíço. No ano seguinte, ela deu à luz o príncipe Emanuele Filiberto. Para poder regressar, Victor Emanuele teve de jurar fidelidade à República, embora não se canse de exaltar a monarquia. Por seu comportamento violento e declarações inoportunas, ele não é bem visto pelos italianos. Em 1978, na Córsega, Victor Emanuele disparou uma pistola contra um jovem alemão que aparentemente tentava fotografá-lo, matando-o. A Justiça francesa condenou o príncipe italiano a seis meses de prisão por "porte ilegal de armas". Mas ele não chegou a ser encarcerado, beneficiado por liberdade condicional. Numa declaração que irritou profundamente os italianos e a comunidade judaica, Victor Emanuele disse que as leis racistas aprovadas por seu avô "eram brandas". A revolta foi tanta que ele teve de reconsiderar a afirmação e pedir desculpas. Os Saboyas deverão regressar definitivamente à Itália em fevereiro.

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